
Dirigentes do centrão e líderes do PL disseram ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que sua pré-candidatura à Presidência é considerada “pesada” e inviável para disputar votos no Nordeste e em parte do Norte, regiões onde Jair Bolsonaro enfrenta forte rejeição. A avaliação, apresentada em reunião realizada na segunda-feira (9), é de que o filho do ex-presidente carregaria o ônus do sobrenome sem o bônus do carisma do pai, comprometendo o desempenho eleitoral de aliados nesses estados.
A conversa reuniu nomes centrais do bloco: Ciro Nogueira (PP), Antônio Rueda (União Brasil), Valdemar Costa Neto (PL) e o senador Rogério Marinho (PL-RN). Nos bastidores, lideranças saíram com a impressão de que uma candidatura de Flávio poderia ser competitiva no Sul e Sudeste — especialmente em Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro —, mas desastrosa no Norte e Nordeste, onde a direita busca ampliar bancadas no Congresso.
Para dirigentes do centrão, Flávio somaria rejeição onde o bolsonarismo tem dificuldades históricas. Ciro Nogueira, por exemplo, tem interesse direto no desempenho eleitoral no Piauí; Rogério Marinho, no Rio Grande do Norte; e o União Brasil mira crescimento no Nordeste e no Norte, onde Davi Alcolumbre precisa sustentar sua influência no Amapá.
Por isso, o nome do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) aparece como alternativa mais viável: mantém ligação com o bolsonarismo, mas não desperta rejeição equivalente. A avaliação é de que Tarcísio poderia unir a direita sem afastar setores do eleitorado moderado.
Lideranças também relataram que Flávio demonstrou ansiedade durante a reunião, apresentando pesquisas internas e garantindo ser capaz de “superar obstáculos” para derrotar Lula em 2026.
Na terça-feira (9), durante reunião do PL, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participou de uma oração em apoio ao enteado, pedindo proteção contra o que chamou de “máquina de moer reputações”. Ela afirmou que, “se Deus quiser”, Flávio será eleito presidente no próximo ano.
Segundo relatos, Michelle não havia sido informada por Jair Bolsonaro da escolha do filho para sucedê-lo, mas Flávio fez questão de avisá-la após o vazamento da notícia. A expectativa é que ela tenha papel relevante na campanha, tanto na elaboração do plano de governo quanto nas viagens pelo país — especialmente ao Nordeste, onde tem forte apelo entre eleitoras evangélicas.
Interlocutores afirmam que Flávio, os irmãos e o próprio Jair Bolsonaro acreditam que a família precisa lançar um candidato para manter vivo o capital eleitoral acumulado pelo ex-presidente, mesmo diante das restrições legais impostas a ele após as condenações no Supremo Tribunal Federal.
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a um ambiente de disputa interna na direita, que ainda não consolidou um nome único para enfrentar Lula em 2026. A pressão do centrão por Tarcísio indica que a definição do bloco pode depender menos da família Bolsonaro e mais da viabilidade eleitoral regional.