O desabamento de dois prédios residenciais no bairro Al-Mustaqbal, em Fez, cidade histórica do Marrocos, deixou ao menos 22 mortos e 16 feridos na madrugada desta quarta-feira (10). As construções, de quatro andares cada, abrigavam oito famílias e já apresentavam rachaduras, segundo a emissora estatal SNRT. Nenhuma medida preventiva, porém, havia sido tomada.
A prefeitura de Fez informou que equipes de segurança, socorro e proteção civil foram enviadas imediatamente ao local para operações de busca e resgate. A extensão total dos danos ainda não foi verificada de forma independente, e o Ministério do Interior não se pronunciou sobre o caso.
A mídia estatal relatou que os prédios tinham “sinais de rachaduras há algum tempo”, sem que autoridades municipais agissem para interditar ou reforçar as estruturas.
O episódio reacende críticas à falta de fiscalização e à precariedade habitacional no país. Em janeiro, o secretário de Estado da Habitação, Adib Ben Ibrahim, informou que 38,8 mil edifícios no Marrocos estão classificados em categoria de risco de desabamento.
O acidente acontece dois meses após Fez se tornar epicentro de protestos nacionais contra o governo, motivados pela deterioração dos serviços públicos, falta de infraestrutura e aumento da desigualdade. As manifestações, lideradas por jovens, espalharam-se em outubro e resultaram em confrontos violentos: três pessoas morreram tentando invadir uma delegacia, e mais de 400 foram detidas.
O momento é considerado sensível para o país, que investe em projetos de modernização visando a Copa do Mundo de 2030 enquanto enfrenta pressão social de regiões que se sentem esquecidas pelo Estado.
Além da tragédia humana imediata, o colapso expõe um problema estrutural mais amplo: o contraste entre o noroeste marroquino — que concentra população, serviços modernos e infraestrutura estratégica — e as regiões dependentes de agricultura, turismo e pesca, mais vulneráveis a negligência do poder público.
O caso também remete a um dos piores acidentes recentes, quando o desabamento de um minarete em Meknes, em 2010, deixou 41 mortos. Ainda não há indicação oficial de que o colapso em Fez esteja ligado a falhas de fiscalização, mas moradores e imprensa estatal apontam possível negligência estrutural.