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Desabamento no Marrocos deixa 22 mortos
Construções já tinham rachaduras, segundo mídia estatal; tragédia ocorre após onda de protestos contra governo e falhas em serviços públicos
10/12/2025 17h06
Por: Redação
Foto: Reprodução

O desabamento de dois prédios residenciais no bairro Al-Mustaqbal, em Fez, cidade histórica do Marrocos, deixou ao menos 22 mortos e 16 feridos na madrugada desta quarta-feira (10). As construções, de quatro andares cada, abrigavam oito famílias e já apresentavam rachaduras, segundo a emissora estatal SNRT. Nenhuma medida preventiva, porém, havia sido tomada.

A prefeitura de Fez informou que equipes de segurança, socorro e proteção civil foram enviadas imediatamente ao local para operações de busca e resgate. A extensão total dos danos ainda não foi verificada de forma independente, e o Ministério do Interior não se pronunciou sobre o caso.

A mídia estatal relatou que os prédios tinham “sinais de rachaduras há algum tempo”, sem que autoridades municipais agissem para interditar ou reforçar as estruturas.

O episódio reacende críticas à falta de fiscalização e à precariedade habitacional no país. Em janeiro, o secretário de Estado da Habitação, Adib Ben Ibrahim, informou que 38,8 mil edifícios no Marrocos estão classificados em categoria de risco de desabamento.

 

Tragédia ocorre após protestos contra precariedade dos serviços públicos

O acidente acontece dois meses após Fez se tornar epicentro de protestos nacionais contra o governo, motivados pela deterioração dos serviços públicos, falta de infraestrutura e aumento da desigualdade. As manifestações, lideradas por jovens, espalharam-se em outubro e resultaram em confrontos violentos: três pessoas morreram tentando invadir uma delegacia, e mais de 400 foram detidas.

O momento é considerado sensível para o país, que investe em projetos de modernização visando a Copa do Mundo de 2030 enquanto enfrenta pressão social de regiões que se sentem esquecidas pelo Estado.

 

Desigualdade regional 

Além da tragédia humana imediata, o colapso expõe um problema estrutural mais amplo: o contraste entre o noroeste marroquino — que concentra população, serviços modernos e infraestrutura estratégica — e as regiões dependentes de agricultura, turismo e pesca, mais vulneráveis a negligência do poder público.

O caso também remete a um dos piores acidentes recentes, quando o desabamento de um minarete em Meknes, em 2010, deixou 41 mortos. Ainda não há indicação oficial de que o colapso em Fez esteja ligado a falhas de fiscalização, mas moradores e imprensa estatal apontam possível negligência estrutural.