
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (11) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja submetido a uma perícia médica oficial da Polícia Federal para avaliar a real necessidade de cirurgias apontadas pela defesa. O exame deve ser realizado no prazo de 15 dias.
A decisão ocorre após os advogados pedirem autorização para que Bolsonaro seja transferido ao hospital DF Star, em Brasília, para procedimentos cirúrgicos e posterior recuperação. O ex-presidente está preso na Superintendência da PF desde 22 de novembro, após ter a prisão domiciliar revogada por tentativa de violar a tornozeleira eletrônica.
Ao determinar a perícia, Moraes afirmou que os exames entregues pela defesa têm três meses e não indicavam, à época, necessidade imediata de intervenção cirúrgica. O ministro destacou ainda que, desde a prisão preventiva, não houve qualquer notificação de emergência médica envolvendo o ex-presidente.
Segundo relato apresentado pela defesa, Bolsonaro estaria com quadro de dor e desconforto na região inguinal, agravado por crises de soluço. Os advogados solicitam internação de cinco a sete dias para realização dos procedimentos sob anestesia geral.
No mesmo requerimento, os advogados pediram que Bolsonaro seja transferido para prisão domiciliar humanitária, citando princípios constitucionais de proteção à saúde, dignidade humana e direitos do idoso. A defesa sugere monitoramento eletrônico e outras medidas que Moraes considerar necessárias.
Bolsonaro cumpriu prisão domiciliar entre agosto e novembro, mas voltou ao cárcere após descumprir determinações do STF. Para Moraes, houve risco de fuga, justificando a prisão preventiva.
Desde 25 de novembro, o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, após condenação por participação na trama que buscou impedir a posse do presidente Lula.
Em outra frente, a Justiça Federal de Minas Gerais determinou a suspensão dos benefícios vitalícios concedidos a Bolsonaro como ex-presidente enquanto durar o cumprimento da pena em regime fechado.
A medida atinge quatro assessores, equipes de segurança e dois veículos oficiais, custeados pela Presidência da República. Segundo ação apresentada pelo vereador Pedro Rousseff (PT-MG), os gastos com a estrutura chegaram a R$ 521 mil no primeiro semestre de 2025 e ultrapassam R$ 4 milhões desde 2023.
O juiz federal Pedro Pereira Pimenta considerou que manter a estrutura ativa enquanto Bolsonaro está preso “afronta os princípios da legalidade e da moralidade administrativa”.
Com a decisão, todos os serviços vinculados aos benefícios ficam suspensos até nova ordem judicial.