
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta quinta-feira (11/12) uma ameaça direta ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmando que ele “será o próximo” caso não “se conscientize”. A fala, feita durante uma mesa-redonda na Casa Branca, eleva o tom da política antidrogas americana e aumenta a tensão diplomática entre Washington e Bogotá.
Ao ser questionado por empresários se havia conversado com Petro, Trump respondeu que “não pensou muito sobre ele”, mas classificou o colombiano como “hostil aos Estados Unidos”. Em seguida, fez um alerta explícito:
“Ele vai ter sérios problemas se não se conscientizar […] Então, é melhor ficar esperto, ou será o próximo. Ele será o próximo. Espero que ele esteja ouvindo. Ele será o próximo, porque não gostamos de pessoas que matam”, afirmou.
Trump também acusou a Colômbia de ser um dos principais polos de produção de cocaína no mundo. “A Colômbia produz muitas drogas. Eles têm fábricas de cocaína. Eles fabricam cocaína”, declarou, afirmando que o produto seria comercializado diretamente para os Estados Unidos.
As afirmações acontecem em um momento de atrito entre Washington e Bogotá, marcado por críticas de Petro à política externa americana e pela deterioração da cooperação bilateral na área de combate ao narcotráfico.
As declarações de Trump vieram um dia após o governo americano anunciar a apreensão de um petroleiro com cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo no Caribe, durante uma operação militar contra embarcações ligadas à Venezuela.
“Acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela – um grande petroleiro, muito grande, o maior já apreendido, na verdade”, disse Trump durante a coletiva. Ele reiterou que a ação teria sido motivada pelo transporte de petróleo sancionado oriundo da Venezuela e do Irã.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, afirmou que a operação cumpriu um mandado de apreensão contra um navio-tanque usado para transportar petróleo venezuelano e iraniano, ambos alvos de sanções americanas.
As declarações ampliam as tensões na América do Sul, que já enfrenta uma deterioração no clima diplomático em razão das pressões dos EUA sobre a Venezuela e, mais recentemente, da apreensão do petroleiro.
A fala de Trump sobre Petro tem potencial de gerar crise diplomática imediata, já que associa diretamente o governo colombiano a práticas criminosas e sugere uma possível intervenção na política interna do país.
A Colômbia ainda não se pronunciou oficialmente sobre a fala, mas aliados de Petro já classificam a declaração como um “ataque inaceitável à soberania nacional”.