Uma mulher foi presa em Goiás suspeita de chefiar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de mulheres e exploração sexual. Segundo a Polícia Federal (PF), ela é apontada como a responsável pela manutenção de uma rede transnacional que atuava em países como Sérvia, Jordânia, Israel, Áustria, Croácia, Emirados Árabes Unidos e Montenegro. A investigação indica que o grupo recrutava vítimas no Brasil e as submetia a condições degradantes no exterior.
Na quarta-feira (10), a PF cumpriu mandados de busca no Distrito Federal e em Goiás, além de ordens de bloqueio de bens e valores e prisão preventiva da suspeita. O nome dela não foi divulgado, e, até a última atualização, a defesa não havia sido localizada. A mulher poderá responder por tráfico internacional de pessoas, redução à condição análoga à de escravo e organização criminosa.
De acordo com as investigações, a organização criminosa utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres com a promessa de altos ganhos no exterior. O esquema ainda oferecia viagens financiadas, o que facilitava o aliciamento.
Ao chegarem aos países de destino, porém, as vítimas eram submetidas a rotinas exaustivas e condições degradantes. A PF afirma que muitas delas tinham os documentos retidos, eram monitoradas constantemente e sofriam ameaças e chantagens — métodos usados para impedir que escapassem ou buscassem ajuda.
A suspeita presa em Goiás é tratada pela PF como peça central do grupo criminoso, sendo responsável por manter e articular as conexões internacionais da rede. A operação identificou que os núcleos atuavam de forma coordenada em diferentes países, garantindo logística, controle das vítimas e circulação de valores.
Até o momento, cerca de 100 vítimas foram identificadas, número que ainda pode aumentar à medida que a investigação avança. A PF informou que há indícios de que o grupo atuava há anos e mantinha fluxo constante de envio de mulheres para o exterior.
A operação foi conduzida em cooperação com a Europol, que auxiliou na coleta de provas e na responsabilização dos envolvidos em outros países. A colaboração internacional deve continuar nas próximas etapas, especialmente para rastreamento de valores e identificação de novos integrantes da rede.
A PF segue analisando evidências colhidas nas buscas, incluindo dispositivos eletrônicos, registros financeiros e conversas que podem revelar mais detalhes sobre o funcionamento da organização criminosa.