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PF cumpre mandados na Câmara em operação sobre emendas parlamentares
Investigação autorizada pelo STF apura suspeitas de desvio de recursos públicos; uma das buscas ocorreu em sala ligada à antiga gestão da presidência da Casa
12/12/2025 13h27
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Polícia Federal cumpriu nesta sexta-feira (12), em Brasília, dois mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Transparência, que investiga irregularidades na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares. A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator de ações que questionam a transparência na liberação dessas verbas.

Um dos mandados foi cumprido na Câmara dos Deputados. O outro ocorreu na residência de uma assessora parlamentar que ocupa cargo de natureza especial na liderança do Partido Progressista (PP). Segundo a Polícia Federal, as apurações envolvem suspeitas de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção.

 

Ex-assessora de Arthur Lira é alvo da investigação

Fontes da investigação apontam que o principal alvo da operação é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara. Lira não é investigado na operação.

Mariângela atua há anos na Câmara dos Deputados e trabalha no setor responsável pela organização da indicação de emendas parlamentares. Atualmente, ela exerce função na liderança do PP. Policiais federais realizaram buscas em salas utilizadas por ela na Câmara e também em sua residência, onde um telefone celular foi apreendido.

Um dos locais vistoriados é uma sala que, nos registros oficiais da Casa, é vinculada à Presidência da Câmara. O espaço teria passado a ser utilizado por Mariângela ainda em 2022, durante a gestão de Arthur Lira, e seria usado para despachos relacionados à tramitação e indicação de emendas.

 

Suspeita envolve emendas de comissão

De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura a liberação de milhões de reais em emendas de comissão, um dos principais focos de questionamentos recentes sobre a falta de transparência no uso desses recursos.

As suspeitas envolvem possíveis fraudes documentais e direcionamento irregular de verbas públicas, além de eventual apropriação indevida de recursos. A operação ocorre em meio ao debate no Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade e os mecanismos de controle das emendas parlamentares.

Flávio Dino tem sido responsável por decisões que exigem maior rastreabilidade, publicidade e controle na execução dessas verbas, especialmente após críticas ao chamado “orçamento secreto”.

A assessoria de Arthur Lira informou que Mariângela Fialek não integra sua equipe atualmente. Já a liderança do PP afirmou que está averiguando os fatos e que deve se pronunciar ainda nesta sexta-feira.

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento e que o material apreendido será analisado para aprofundar a apuração sobre a destinação dos recursos e a eventual responsabilidade dos envolvidos. O STF deverá acompanhar os desdobramentos do caso, que pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.