A Polícia Federal indiciou o deputado federal Gustavo Gayer (PL) pelos crimes de associação criminosa, peculato — que caracteriza desvio de recursos públicos —, falsidade ideológica e falsificação de documento particular. A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar, que teriam sido direcionados a uma empresa ligada a um aliado do parlamentar. Além de Gayer, o filho dele, Gabriel Sander Araújo Gayer, e assessores do gabinete também foram incluídos no indiciamento.
O relatório da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor) está sob sigilo de Justiça e foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se apresenta denúncia contra o deputado.
Segundo a Polícia Federal, a apuração identificou indícios de falsificação de documentos para a criação de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), que seria utilizada como destino de recursos indicados pelo parlamentar. De acordo com a investigação, houve irregularidades na ata de constituição da entidade, incluindo o uso de data retroativa, registrada como se fosse do ano de 2003.
Ainda conforme a PF, o quadro social da organização seria composto por crianças entre um e nove anos de idade, o que levantou suspeitas sobre a legalidade e a finalidade da entidade. A operação foi batizada de “Discalculia”, em referência a um transtorno de aprendizagem relacionado a números.
O indiciamento é resultado de uma operação deflagrada em outubro do ano passado, quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Gayer, em Brasília e em municípios de Goiás, como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Cidade Ocidental. Ao todo, foram cumpridos 19 mandados.
Na ocasião, a PF apreendeu cerca de R$ 70 mil em dinheiro na residência de um assessor do deputado, além do celular de Gustavo Gayer. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Na decisão, o ministro apontou o parlamentar como “peça central da associação criminosa investigada” e “autor intelectual dos possíveis crimes”, afirmando que ele teria direcionado verbas parlamentares para atividades privadas.
O relatório também indica que há suspeita de uso de servidores do gabinete, pagos com recursos públicos, para a execução de demandas particulares.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Gustavo Gayer confirmou o indiciamento e negou a prática de qualquer irregularidade. Segundo ele, os recursos foram utilizados para custear um escritório político que funcionava no mesmo endereço onde antes mantinha uma escola de inglês. O deputado afirmou que esqueceu de atualizar o endereço no contrato social da empresa.
Gayer também disse que, no local, funcionou um ponto de apoio à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022 e que, posteriormente, foi criada uma loja de produtos ligados à imagem de Bolsonaro para custear despesas como água e energia. Segundo o parlamentar, a empresa estava em nome de seu filho, mas o estoque ficava na casa de um assessor.
O deputado alegou ainda que é alvo de perseguição política e que o objetivo da investigação seria desgastar sua imagem e impedir uma eventual candidatura ao Senado. O espaço permanece aberto para manifestações das partes citadas.