
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) apresentou, neste domingo (14), carta de renúncia ao mandato na Câmara dos Deputados, dois dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a perda automática de seu cargo. A saída ocorre em meio às condenações criminais da parlamentar, que está presa na Itália e responde a um processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro.
A renúncia foi comunicada oficialmente pela presidência da Câmara, que informou o recebimento do pedido pela Secretaria-Geral da Mesa. Com isso, o suplente do Partido Liberal em São Paulo, Adilson Barroso, foi convocado para assumir a vaga e tomou posse nesta segunda-feira (15), de forma administrativa.

Zambelli afirmou, na carta enviada ao Legislativo, que é alvo de perseguição e declarou que sua trajetória pública “não foi forjada”. A defesa sustenta que a decisão foi técnica e orientada juridicamente, com o objetivo de reduzir a tensão institucional entre os Poderes e fortalecer a posição da ex-deputada no processo de extradição em curso na Itália.
Na semana passada, a Câmara dos Deputados havia rejeitado a cassação do mandato de Zambelli, em votação que não alcançou os 257 votos necessários. Poucos dias depois, a Primeira Turma do STF confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou a perda automática do mandato, anulando o resultado do plenário da Casa.
A cassação decorre da condenação de Zambelli a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com inserção de documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o próprio Moraes. O STF entendeu que a deputada atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto, conforme denúncia da Procuradoria-Geral da República.
Além desse processo, Zambelli também foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por perseguir armada um apoiador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. As condenações já transitadas em julgado resultaram na suspensão de seus direitos políticos, independentemente da renúncia ao cargo.
Com a saída formal da deputada, a Câmara encerra o impasse institucional em torno do mandato, enquanto a atenção se volta para a decisão da Justiça italiana sobre a extradição de Zambelli, que pode levá-la a cumprir as penas em regime fechado no Brasil.