Duas mineradoras com operações de terras raras em Goiás firmaram acordos de financiamento com o banco estatal dos Estados Unidos, o Development Finance Corporation (DFC). Os contratos envolvem a Serra Verde, em Minaçu, e a Aclara, em Nova Roma, e fazem parte da estratégia americana para reduzir a dependência da China na cadeia global desses minerais críticos.
Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (15), a Serra Verde obteve um empréstimo de US$ 465 milhões para ampliar a produção, enquanto a Aclara recebeu US$ 5 milhões para concluir estudos de viabilidade de sua mina. No caso da Aclara, o contrato prevê a possibilidade de conversão da dívida em participação acionária.
Para os Estados Unidos, o investimento tem caráter estratégico. A China concentra cerca de 60% da extração global de terras raras e aproximadamente 90% da capacidade de refino. Esses minerais, formados por um grupo de 17 elementos químicos, são essenciais para a transição energética, a indústria automobilística e aplicações na área de defesa. O Brasil possui a terceira maior reserva mundial, atrás apenas da China e do Vietnã.
A Serra Verde é atualmente a única mineradora de terras raras em operação no Brasil e uma das poucas fora do território chinês. A empresa planeja ampliar a produção de óxidos contidos no concentrado para 5 mil toneladas até 2027 e 10 mil toneladas até 2030, movimento viabilizado pelo financiamento internacional.
Já a Aclara anunciou a construção de uma refinaria nos Estados Unidos, com investimento estimado em US$ 277 milhões, para processar o concentrado produzido no Brasil. A empresa afirma que a unidade poderá suprir até 75% da demanda norte-americana por terras raras até 2028, embora ressalte que o acordo não impõe a obrigatoriedade de destinar a produção ao mercado dos EUA.
Especialistas apontam que, em financiamentos do DFC, é comum haver exigências de fornecimento ao mercado americano, mas as empresas envolvidas destacam que decisões sobre processamento e destino da produção seguem critérios comerciais e regulatórios.
Os acordos reacendem o debate sobre o papel do Brasil na cadeia global de minerais críticos. O governo federal defende que o processamento e a agregação de valor ocorram no país, posição já reiterada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O avanço dos projetos em Goiás pode colocar o Brasil em posição estratégica nesse mercado, desde que consiga equilibrar investimentos externos e desenvolvimento industrial interno.