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PF prende desembargador relator do caso TH Joias

Macário Judice Neto é investigado por vazamento de informações à facção criminosa

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
16/12/2025 às 13h39 Atualizada em 16/12/2025 às 17h41
PF prende desembargador relator do caso TH Joias
Foto: Reprodução

A Polícia Federal prendeu, nesta terça-feira (16), no Rio de Janeiro, o desembargador federal Macário Ramos Judice Neto, do TRF-2, no âmbito da segunda fase da Operação Unha e Carne. A investigação apura o vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho e envolve o processo contra o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.

Th Joias / Foto: Reprodução

Investigação

Macário Judice Neto foi preso em casa, na Barra da Tijuca, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ele é relator do processo que levou à prisão de TH Joias, suspeito de ligação com a facção criminosa, e teria participado de encontros com agentes políticos investigados por possível repasse de informações sobre operações policiais.

Segundo a PF, o desembargador estava em um restaurante com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, quando este teria feito contato telefônico com TH Joias. A apuração busca esclarecer se, nesse contexto, houve vazamento de dados sobre ações policiais em curso.

Antecedentes

Macário Judice Neto voltou à magistratura em 2023, após permanecer afastado por 17 anos. O afastamento teve origem em denúncias do Ministério Público Federal relacionadas à suspeita de venda de sentenças quando ele atuava como juiz federal no Espírito Santo. Em 2005, o TRF-2 determinou o primeiro afastamento no âmbito de uma ação penal.

As investigações também apontam que a esposa do desembargador, Flávia Judice, trabalhou até recentemente na diretoria-geral da Alerj, período em que a apuração sobre o caso já estava em andamento.

Outros alvos

Além da prisão do magistrado, a operação cumpriu dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Rodrigo Bacellar voltou a ser alvo de diligências, assim como o chefe de gabinete do ex-parlamentar. Bacellar chegou a ser preso na primeira fase da operação, em dezembro, mas foi solto por decisão da Alerj e pediu licença do mandato.

TH Joias, que integrava a base política do governo estadual, deverá ser transferido para um presídio federal. A defesa informou que ainda não teve acesso à decisão que determina a mudança de unidade prisional.

Defesa

Em nota, a defesa de Macário Judice Neto afirmou que o ministro Alexandre de Moraes teria sido “induzido a erro” ao decretar a prisão e que pedirá a imediata soltura do desembargador. Os advogados alegam não ter recebido a íntegra da decisão judicial, o que, segundo eles, prejudica o exercício do direito de defesa.

A Operação Unha e Carne 2 ocorre no contexto das investigações determinadas pela chamada ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a apuração de vínculos entre organizações criminosas e agentes públicos no Rio de Janeiro. As investigações seguem em andamento para apurar a extensão do suposto esquema de vazamento de informações sigilosas.

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