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Haddad deixa Fazenda até fevereiro e mira campanha de Lula
Ministro cogita coordenar reeleição do presidente, mas PT pressiona por candidatura
16/12/2025 13h44
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, decidiu deixar o cargo até o fim de fevereiro e já comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua intenção de sair do governo. Apesar da pressão interna do PT, Haddad afirma que não pretende disputar eleições em 2026 e avalia atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula.

Segundo interlocutores, Lula teria aceitado a possibilidade da saída do ministro. Haddad, inclusive, já sugeriu um nome para substituí-lo na Fazenda: o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. A avaliação do ministro é de que, fora do cargo, teria mais liberdade para defender o governo e articular politicamente a campanha presidencial.

Aliados destacam que Haddad deixa a Fazenda após um período de melhora na percepção da economia. Pesquisa Datafolha recente mostra que o percentual de brasileiros que apontam a economia como principal problema do país caiu de 22% para 11% durante sua gestão.

Pressão do PT

Dentro do Partido dos Trabalhadores, porém, há resistência à ideia de Haddad ficar fora da disputa eleitoral. Lideranças defendem que ele concorra ao governo de São Paulo ou ao Senado, avaliando que sua ausência nas urnas seria uma perda estratégica para o partido, especialmente em um estado considerado decisivo para a eleição presidencial.

A cúpula petista avalia que ampliar a bancada no Senado é prioridade em 2026, como forma de conter o avanço da direita. Nesse cenário, um desempenho forte em São Paulo é visto como fundamental para o projeto de reeleição de Lula, o que reforça a pressão para que Haddad dispute um cargo majoritário.

Cenários eleitorais

Durante evento do grupo Prerrogativas, na sexta-feira (12), Haddad foi um dos principais nomes nas conversas políticas. Parlamentares e dirigentes chegaram a levantar a hipótese de ele integrar a chapa presidencial como candidato a vice, caso não dispute cargos em São Paulo.

Esse cenário, no entanto, esbarra na permanência de Geraldo Alckmin, atual vice-presidente, que mantém boa relação com Lula e sinaliza interesse em seguir no posto. Haddad também tem relação próxima com Alckmin e evita se posicionar publicamente sobre o assunto.

Apesar das especulações, Haddad mantém silêncio sobre uma candidatura em 2026 e evita confirmar qualquer plano eleitoral. A definição sobre sua saída da Fazenda e seu papel na campanha presidencial deve ganhar contornos mais claros nos próximos meses, à medida que o governo e o PT organizam a estratégia para o próximo ciclo eleitoral.