
O deputado federal Antônio Doido (MDB-PA) foi alvo, nesta terça-feira (16), de uma operação da Polícia Federal que investiga o desvio de verbas públicas por meio de um esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e privados. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF cumpriu 31 mandados de busca e apreensão no Pará e no Distrito Federal. Segundo a corporação, a Operação Igapó apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, desviar recursos públicos e lavar dinheiro para pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.
De acordo com os investigadores, os crimes sob apuração incluem corrupção eleitoral, corrupção ativa e passiva, crimes licitatórios, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Na decisão que embasou a operação, o ministro Flávio Dino afirma que Antônio Doido seria o responsável por comandar o grupo investigado. O documento aponta que o parlamentar utilizava diversas empresas para operacionalizar movimentações financeiras suspeitas, com recursos oriundos de contratos públicos.
A investigação teve início após a prisão em flagrante, em outubro de 2024, de dois investigados que sacaram quase R$ 5 milhões em espécie em uma agência do Banco do Brasil, às vésperas das eleições municipais. Os dois voltaram a ser alvos da operação desta terça-feira.
Segundo a PF, o esquema contava com a participação de ao menos 13 pessoas, oito empresas e a Secretaria de Obras Públicas do Pará. O atual secretário da pasta, Benedito Ruy Santos Cabral, é citado na decisão judicial por supostas condutas com “graves violações de deveres funcionais”, em razão do cargo estratégico que ocupa.
Ainda conforme as investigações, Antônio Doido determinava saques e a distribuição de valores, enquanto um tenente-coronel da Polícia Militar atuaria como operador logístico e financeiro do grupo. A esposa do deputado também aparece como sócia de empresas que receberam altos volumes de recursos do governo estadual.
A Polícia Federal segue analisando documentos e materiais apreendidos para aprofundar as apurações sobre o suposto esquema de desvio de recursos públicos no Pará. Até o momento, o deputado ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações.