
Rússia e Ucrânia elevaram o tom nesta terça-feira (16) durante a fase mais sensível das negociações de paz desde o início da guerra, em 2022. Enquanto o governo de Vladimir Putin reafirmou que não abrirá mão das regiões ucranianas anexadas ilegalmente, o presidente Volodimir Zelenski cobrou garantias de segurança e disse que “o agressor tem de pagar”, em meio à mediação conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Kremlin deixou claro que não pretende ceder em seus pontos centrais: o reconhecimento das quatro regiões anexadas em 2022 —Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia — e a neutralidade militar da Ucrânia. Autoridades russas também rejeitaram a proposta de uma força de paz europeia em território ucraniano, considerada inaceitável por Moscou.
O vice-chanceler Serguei Riabkov afirmou que a presença de tropas internacionais violaria um dos principais objetivos que motivaram a invasão. Já o porta-voz Dmitri Peskov declarou que a Rússia não aceitará uma trégua temporária e insiste em um acordo definitivo, nos termos defendidos por Moscou.
Após duas rodadas de conversas com representantes americanos e europeus em Berlim, Zelenski discursou no Parlamento da Holanda e adotou um tom mais duro. Disse que a Rússia precisa aceitar regras internacionais e afirmou que concessões sem garantias estimulariam novas agressões.
O presidente ucraniano reconheceu que a discussão sobre perdas territoriais é “dolorosa” e ainda sem consenso interno. Pesquisas recentes indicam que a maioria da população ucraniana rejeita a cessão de áreas atualmente ocupadas pela Rússia, especialmente no leste do país.
Zelenski voltou a condicionar a renúncia definitiva à entrada na Otan à obtenção de garantias robustas de segurança. Países europeus sinalizaram disposição para montar uma força de paz, enquanto os Estados Unidos ficariam responsáveis pelo monitoramento da trégua.
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que Washington sinalizou resposta militar caso o acordo seja violado, em um modelo semelhante —embora não formal— ao mecanismo de defesa coletiva da Otan.
Líderes europeus e o próprio Trump afirmaram nos últimos dias que o fim do conflito estaria próximo, indicando que Kiev já teria feito concessões relevantes. Agora, a expectativa recai sobre Moscou. “Vamos ver nos próximos dias se Putin realmente quer a paz”, disse o primeiro-ministro holandês, Dick Schoof.
A União Europeia também discute o uso de ativos russos congelados para financiar a reconstrução da Ucrânia, tema que enfrenta resistência interna e ameaça de contestação judicial por parte da Rússia.
Com negociações avançando, mas ainda marcadas por desconfiança e exigências rígidas, o conflito entra em um momento decisivo. O desfecho dependerá da disposição de Moscou em negociar além de suas demandas máximas e da capacidade dos aliados ocidentais de oferecer garantias que sustentem um cessar-fogo duradouro.