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Rússia e Ucrânia endurecem discurso em negociações mediadas por Trump
Moscou mantém exigências territoriais, enquanto Kiev cobra garantias e responsabilização
16/12/2025 16h32 Atualizada há 10 meses
Por: Lavínia Dornellas
Vladimir Putin e Donald Trump / Foto: Reprodução

Rússia e Ucrânia elevaram o tom nesta terça-feira (16) durante a fase mais sensível das negociações de paz desde o início da guerra, em 2022. Enquanto o governo de Vladimir Putin reafirmou que não abrirá mão das regiões ucranianas anexadas ilegalmente, o presidente Volodimir Zelenski cobrou garantias de segurança e disse que “o agressor tem de pagar”, em meio à mediação conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Posição russa

O Kremlin deixou claro que não pretende ceder em seus pontos centrais: o reconhecimento das quatro regiões anexadas em 2022 —Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia — e a neutralidade militar da Ucrânia. Autoridades russas também rejeitaram a proposta de uma força de paz europeia em território ucraniano, considerada inaceitável por Moscou.

O vice-chanceler Serguei Riabkov afirmou que a presença de tropas internacionais violaria um dos principais objetivos que motivaram a invasão. Já o porta-voz Dmitri Peskov declarou que a Rússia não aceitará uma trégua temporária e insiste em um acordo definitivo, nos termos defendidos por Moscou.

Discurso de Zelenski

Após duas rodadas de conversas com representantes americanos e europeus em Berlim, Zelenski discursou no Parlamento da Holanda e adotou um tom mais duro. Disse que a Rússia precisa aceitar regras internacionais e afirmou que concessões sem garantias estimulariam novas agressões.

O presidente ucraniano reconheceu que a discussão sobre perdas territoriais é “dolorosa” e ainda sem consenso interno. Pesquisas recentes indicam que a maioria da população ucraniana rejeita a cessão de áreas atualmente ocupadas pela Rússia, especialmente no leste do país.

Garantias de segurança

Zelenski voltou a condicionar a renúncia definitiva à entrada na Otan à obtenção de garantias robustas de segurança. Países europeus sinalizaram disposição para montar uma força de paz, enquanto os Estados Unidos ficariam responsáveis pelo monitoramento da trégua.

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou que Washington sinalizou resposta militar caso o acordo seja violado, em um modelo semelhante —embora não formal— ao mecanismo de defesa coletiva da Otan.

Líderes europeus e o próprio Trump afirmaram nos últimos dias que o fim do conflito estaria próximo, indicando que Kiev já teria feito concessões relevantes. Agora, a expectativa recai sobre Moscou. “Vamos ver nos próximos dias se Putin realmente quer a paz”, disse o primeiro-ministro holandês, Dick Schoof.

A União Europeia também discute o uso de ativos russos congelados para financiar a reconstrução da Ucrânia, tema que enfrenta resistência interna e ameaça de contestação judicial por parte da Rússia.

Com negociações avançando, mas ainda marcadas por desconfiança e exigências rígidas, o conflito entra em um momento decisivo. O desfecho dependerá da disposição de Moscou em negociar além de suas demandas máximas e da capacidade dos aliados ocidentais de oferecer garantias que sustentem um cessar-fogo duradouro.