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Austrália acusa atirador de 59 crimes após atentado em Sydney
Autor do ataque saiu do coma e será ouvido por videoconferência; Filipinas negam treinamento terrorista
17/12/2025 14h58
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A polícia da Austrália afirmou nesta quarta-feira (17) que Naveed Akram, 24, responderá a 59 acusações, incluindo assassinato, tentativa de assassinato e terrorismo, pelo atentado ocorrido no último domingo (14) na praia de Bondi, em Sydney, durante uma celebração judaica do Hanukkah.

Baleado por policiais durante o ataque, Akram saiu do coma no hospital onde está internado e deverá prestar depoimento por videoconferência a um tribunal local na próxima segunda-feira (22). Segundo as autoridades, ele e o pai, Sajid Akram, 50, abriram fogo contra a multidão, matando 15 pessoas. Sajid foi morto por agentes ao chegarem ao local. Ao menos 23 feridos seguem hospitalizados.

Investigação

Registros de imigração indicam que os dois suspeitos estiveram nas Filipinas entre os dias 1º e 28 de novembro, passando por Manila e pela cidade de Davao, na região de Mindanao, historicamente marcada pela atuação de grupos extremistas. A polícia australiana afirma que os atiradores parecem ter sido inspirados pelo Estado Islâmico.

O conselheiro de Segurança Nacional das Filipinas, Eduardo Año, afirmou que não há evidências de que os agressores tenham recebido treinamento terrorista no país asiático. Segundo ele, o período de permanência não permitiria preparação significativa. O governo filipino informou que investiga a viagem e mantém contato com autoridades australianas.

Repercussão

O ataque gerou forte comoção e críticas ao governo do primeiro-ministro Anthony Albanese, acusado por setores da sociedade de não conter o avanço do antissemitismo no país. Albanese afirmou que trabalhará com a comunidade judaica para combater o ódio religioso.

O premiê de Nova Gales do Sul, Chris Minns, anunciou que convocará o Parlamento estadual para discutir o endurecimento das leis sobre armas e possíveis restrições a grandes protestos após atentados terroristas. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump classificou o episódio como um “ataque terrorista antissemita” e manifestou solidariedade às vítimas.

Os funerais começaram nesta quarta-feira. Entre as vítimas está o rabino Eli Schlanger, assistente da sinagoga Chabad Bondi, conhecido pelo trabalho comunitário com judeus em prisões e comunidades carentes de Sydney.