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Ferramenta de inteligência artificial do TJGO acelera análise de ações judiciais
Sistema Berna será lançado nacionalmente pelo CNJ e permite leitura automática e organização de documentos jurídicos
17/12/2025 16h17
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) será lançada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na próxima quinta-feira (18), em Brasília, durante o evento Inteligência Artificial no Poder Judiciário. Batizada de Berna, a solução foi criada para ler, interpretar e agrupar automaticamente documentos jurídicos, acelerando a análise de processos.

Segundo o TJGO, a tecnologia não substitui magistrados ou servidores, mas auxilia na organização de informações, identificação de padrões e análise de demandas repetitivas ou em grande volume.

Desenvolvida em 2020, a Berna chamou a atenção do CNJ pelos resultados obtidos em Goiás. A ferramenta permite identificar processos semelhantes, ações coletivas, dependências processuais e até possíveis pedidos abusivos, contribuindo para decisões mais padronizadas e céleres.

“A Berna não decide processos. Ela organiza o universo de informações, identifica padrões e entrega inteligência qualificada para que o Judiciário atue com mais eficiência e segurança”, afirma o juiz auxiliar da Presidência do TJGO e coordenador da área, Gustavo Assis Garcia.

Com a nacionalização, qualquer órgão do Judiciário poderá solicitar acesso à solução por meio do CNJ, que ficará responsável pelas interfaces e pela disponibilização do sistema.

RESULTADOS

De acordo com o TJGO, em unidades como o Juizado da Fazenda Pública Municipal de Goiânia, a fase inicial de análise de processos, que antes levava cerca de quatro dias, passou a ser realizada em poucas horas.

Segundo o diretor de Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Estatística do TJGO, Antônio Pires, a integração da Berna ao ambiente do CNJ amplia a leitura do acervo judicial em escala nacional. “A ferramenta passa a identificar demandas repetitivas entre diferentes tribunais, antes dispersas em bases isoladas”, explicou.

A partir das informações organizadas pela Berna, o tribunal também desenvolveu automações próprias, como robôs, para agilizar rotinas e otimizar o uso da força de trabalho.