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Rússia alerta que tensões na Venezuela podem ter consequências imprevisíveis para o Ocidente
Moscou reage ao bloqueio naval anunciado por Trump contra Caracas enquanto também enfrenta pressão dos EUA por acordo de paz com a Ucrânia
17/12/2025 16h55
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou nesta quarta-feira (17) que o aumento das tensões em torno da Venezuela pode ter “consequências imprevisíveis para todo o Ocidente”. A declaração foi divulgada pela agência estatal russa TASS, em meio à escalada promovida pelos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro.

A fala ocorre uma semana após o Kremlin confirmar que o presidente Vladimir Putin conversou por telefone com Maduro, reafirmando o apoio de Moscou ao aliado sul-americano diante das ameaças de Washington. O posicionamento russo também se dá em um momento de forte pressão americana sobre o próprio Kremlin, nas negociações por um acordo de paz para a guerra na Ucrânia.

BLOQUEIO DOS EUA E APOIO A MADURO

A reação russa veio um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um bloqueio aéreo e naval contra a Venezuela. Segundo Trump, todos os navios petroleiros sancionados pelos EUA que entrarem ou saírem do país estão proibidos de operar, medida que, segundo ele, permanecerá em vigor “até Maduro sair” do poder.

Trump acusou o governo venezuelano de usar o setor petrolífero para financiar tráfico de drogas, tráfico humano e atividades terroristas, sem apresentar provas. Desde o fim de novembro, os EUA também fecharam o espaço aéreo venezuelano e ampliaram a operação militar Lança do Sul no Caribe, que já resultou na interceptação de dezenas de embarcações.

A Rússia tem se posicionado publicamente em defesa da Venezuela desde o início da ofensiva americana. No dia 7 de novembro, a porta-voz do Itamaraty russo, Maria Zakharova, afirmou que Moscou estava pronta para responder a pedidos de ajuda de Caracas, caso necessário.

PRESSÃO SOBRE MOSCOU E GUERRA NA UCRÂNIA

A escalada em torno da Venezuela ocorre paralelamente ao aumento da pressão dos EUA sobre a Rússia para que aceite um acordo de paz com a Ucrânia. Segundo a Bloomberg, Washington prepara uma nova rodada de sanções contra o setor energético russo como forma de forçar concessões do Kremlin.

Questionado sobre a possível medida, o governo russo afirmou que sanções adicionais prejudicam os esforços de reaproximação entre Moscou e Washington. Pouco depois, Putin declarou que não pretende atacar a Europa e criticou o que chamou de “histeria” dos líderes ocidentais.

Apesar do discurso diplomático, o presidente russo reafirmou que não abrirá mão dos objetivos que motivaram a invasão da Ucrânia em 2022. Moscou também rejeitou novamente a proposta americana de garantias de segurança à Ucrânia com presença de forças militares europeias no território do país.

Enquanto isso, a crise venezuelana também gerou reação internacional. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu que a ONU atue para impedir um “derramamento de sangue” e defendeu uma solução pacífica, rejeitando qualquer tipo de intervenção externa contra o regime de Maduro.