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Lula nega privatização dos Correios e admite troca de cargos na estatal
Presidente diz que reestruturação pode incluir mudanças na gestão e parcerias com empresas privadas
18/12/2025 14h13
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (18) que não pretende privatizar os Correios, mas admitiu mudanças profundas na estrutura de comando da empresa. Segundo ele, a reestruturação pode envolver a troca de cargos e a adoção de novas medidas administrativas para recuperar a estatal.

“Enquanto eu for presidente não vai haver privatização. O que pode ter é construção de parcerias com empresas”, declarou Lula durante agenda oficial. O presidente disse ainda que determinou a substituição do comando da empresa e que espera um diagnóstico detalhado sobre a situação financeira e operacional dos Correios.

REESTRUTURAÇÃO E NOVOS MODELOS

Lula afirmou que a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, responsável pelas estatais, foi acionada para conduzir o processo junto com a Casa Civil. Segundo ele, o novo presidente dos Correios tem a missão de apresentar um balanço concreto das medidas necessárias. “Vamos tomar as medidas que tiver que tomar, mudar todos os cargos que tiver que mudar”, disse.

Pessoas envolvidas nas discussões afirmam que a nova gestão estuda alternativas como joint ventures com empresas privadas para áreas específicas de negócio e, em cenários mais amplos, até a abertura de capital, transformando os Correios em uma sociedade de economia mista, com controle mantido pela União, a exemplo de Petrobras e Banco do Brasil.

PREJUÍZOS E EMPRÉSTIMO

Após registrar lucro entre 2017 e 2021, impulsionado pelo crescimento do comércio eletrônico na pandemia, os Correios passaram a acumular prejuízos a partir de 2022. Além da perda de receitas com a taxação de encomendas internacionais de até US$ 50, a empresa enfrenta deterioração operacional, aumento de despesas e impacto de ações judiciais no caixa.

Na semana passada, um grupo de cinco bancos —dois deles públicos— apresentou proposta de empréstimo de R$ 12 bilhões para a estatal, vinculada a um plano de reestruturação. A operação ficou dentro do limite de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro Nacional, com garantia da União em caso de inadimplência.

O governo trabalha para concluir a operação até esta sexta-feira (19), prazo considerado essencial para viabilizar o pagamento do 13º salário dos trabalhadores dos Correios, diante da impossibilidade técnica de um aporte direto com recursos do Orçamento ainda em 2025.