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Ataque russo mata 3 e causa apagões na Ucrânia
Ofensiva com mais de 650 drones e dezenas de mísseis atingiu infraestrutura energética e áreas residenciais em 13 regiões; criança de 4 anos está entre as vítimas
23/12/2025 16h11
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Um ataque russo de grande escala com drones e mísseis contra a Ucrânia matou ao menos três civis, entre eles uma criança de 4 anos, e provocou cortes generalizados de energia em várias regiões do país. A ofensiva ocorreu durante a madrugada e as primeiras horas da manhã desta terça-feira, em meio a temperaturas abaixo de zero, a poucos dias do Natal.

Segundo autoridades ucranianas, os bombardeios atingiram áreas residenciais e a infraestrutura energética em ao menos 13 regiões, agravando a situação da população durante o inverno e enquanto seguem discussões diplomáticas sobre uma possível saída negociada para o conflito.

De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou 635 drones de diferentes modelos e 38 mísseis durante a ofensiva. As defesas aéreas conseguiram interceptar 587 drones e 34 mísseis, mas parte dos ataques conseguiu atingir alvos civis e estratégicos.

Os bombardeios causaram apagões especialmente no oeste do país. Autoridades relataram danos à rede elétrica nas regiões de Zhytomyr, Kiev, Khmelnytskyi, Rivne, Ternopil, Lviv e Sumy. Durante o ataque, a Polônia acionou caças para proteger seu espaço aéreo, segundo o Exército polonês.

Pressão militar em meio a negociações

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques ocorreram em um momento crítico, com frio intenso e cortes de energia prolongados. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a ofensiva demonstra a intenção do presidente russo, Vladimir Putin, de manter a guerra, mesmo enquanto há conversas diplomáticas em andamento.

O ataque foi o nono de grande escala contra o sistema energético ucraniano em 2025, segundo o Ministério da Energia. A maior fornecedora privada de eletricidade do país, a DTEK, informou que usinas termelétricas voltaram a ser atingidas, somando mais de 220 ataques desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

Os bombardeios ocorreram dias após reuniões nos Estados Unidos envolvendo o enviado americano Steve Witkoff, que se encontrou separadamente com representantes da Ucrânia, da Rússia e de aliados europeus. Apesar de declarações sobre “progresso lento”, não houve avanços concretos para um acordo de paz. Enquanto isso, a população ucraniana enfrenta mais um inverno sob ataques à infraestrutura crítica, com cortes de energia e risco humanitário crescente.