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Entenda o que trava o acordo para o fim da guerra na Ucrânia
Conversas entre Donald Trump, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky indicam avanço diplomático, mas disputas territoriais, controle nuclear e garantias de segurança seguem como entraves centrais
29/12/2025 18h30
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Mesmo após novas rodadas de conversas envolvendo Donald Trump, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia continua distante. Autoridades dos três países admitem avanços nas negociações, mas reconhecem que pontos considerados “espinhosos” ainda impedem a assinatura de um acordo definitivo.

No domingo (28), Trump conversou por telefone com Putin e, horas depois, se reuniu com Zelensky na Flórida. Apesar do tom otimista, o presidente americano evitou estabelecer prazos e reconheceu que questões estruturais seguem sem solução.

Território: o principal impasse

A concessão de terras é apontada como o maior obstáculo ao acordo. A Rússia reivindica como parte de seu território regiões ocupadas desde 2022, como Donbas, Zaporizhzhia e Kherson — áreas que a comunidade internacional reconhece como ucranianas.

Atualmente, estimativas indicam que Moscou controla cerca de 20% do território da Ucrânia, incluindo:

Trump afirmou que Kiev deveria considerar concessões agora para evitar perdas maiores no futuro. O Kremlin foi além: declarou que a Ucrânia precisa retirar suas tropas do Donbas para que haja paz. Zelensky admite submeter qualquer acordo a um referendo nacional, como exige a Constituição, mas condiciona isso a um cessar-fogo mínimo de 60 dias.

Usina nuclear de Zaporizhzhia

Outro ponto sensível é o destino da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, atualmente sob controle russo. O governo ucraniano propõe uma gestão compartilhada entre Ucrânia e Estados Unidos, com divisão da produção de energia.

Trump elogiou a postura de Putin em relação à usina, afirmando que o líder russo estaria disposto a cooperar. Para Kiev, porém, qualquer acordo que mantenha o controle russo sobre a instalação representa risco estratégico e energético.

Garantias de segurança à Ucrânia

As garantias de segurança oferecidas pelos Estados Unidos também estão no centro das negociações. Zelensky revelou que Trump propôs proteção por 15 anos, com possibilidade de prorrogação. O presidente ucraniano, no entanto, pediu um compromisso de longo prazo, entre 30 e 50 anos.

Na prática, essas garantias funcionariam de forma semelhante ao artigo 5º da OTAN, prevendo resposta militar conjunta em caso de nova invasão russa — algo rejeitado por Moscou.

Trégua temporária ou acordo definitivo

Outro ponto de divergência é o formato do acordo. Enquanto Ucrânia e aliados europeus defendem uma trégua inicial para discutir concessões territoriais, Rússia e Estados Unidos avaliam que cessar-fogos temporários apenas prolongam o conflito.

O assessor do Kremlin Yuri Ushakov afirmou que Trump e Putin compartilham a visão de que um acordo só será viável se resolver, de forma definitiva, as chamadas “causas profundas” da guerra.

Pressão política e avanços militares

As negociações ocorrem sob forte pressão militar. Moscou anunciou avanços recentes no leste da Ucrânia, incluindo a tomada de localidades estratégicas. Kiev tenta minimizar as perdas, mas admite dificuldades no front.

Ao mesmo tempo, Trump afirmou que cerca de 95% dos pontos apresentados por Zelensky já teriam sido debatidos em relação a uma proposta inicial americana, elaborada em conjunto com a Rússia. Ainda assim, temas como policiamento de áreas desmilitarizadas e controle de regiões ocupadas seguem sem consenso.

Um acordo possível, mas distante

Apesar do discurso de que a paz “está mais próxima do que nunca”, o cenário indica que qualquer acordo dependerá de concessões difíceis, especialmente para a Ucrânia. Putin sinaliza que só aceitará um desfecho que possa ser apresentado internamente como vitória estratégica, enquanto Zelensky enfrenta limites políticos e constitucionais para ceder território.

Sem consenso sobre fronteiras, segurança e controle de ativos estratégicos, a guerra iniciada em 2022 entra em mais uma fase de negociação prolongada — com avanços pontuais, mas ainda sem um desfecho à vista.