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Quem é Delcy Rodríguez e até onde vai seu poder
Delcy Rodríguez sinaliza disposição para cooperar com Washington enquanto Trump afirma que os EUA estão “no comando” do país
06/01/2026 16h24
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A nomeação de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas em Caracas, abriu uma nova fase de incertezas políticas no país. Embora reconhecida pelas Forças Armadas venezuelanas, a autoridade real de Rodríguez ainda é alvo de questionamentos dentro e fora da Venezuela.

Horas depois de reafirmar publicamente que Maduro era o único presidente legítimo, Rodríguez mudou o tom e declarou estar pronta para cooperar com o governo de Donald Trump, defendendo uma relação “equilibrada e respeitosa” com os Estados Unidos.

Trump diz que os EUA estão no controle

No domingo (4), Trump reforçou o discurso de protagonismo americano sobre o futuro venezuelano. Questionado se havia conversado com Rodríguez, respondeu de forma evasiva e afirmou que os Estados Unidos estão “no comando” do país sul-americano.

“Não me perguntem quem está no comando, porque darei uma resposta muito controversa”, disse o presidente americano a jornalistas a bordo do Air Force One. Em seguida, completou: “Significa que nós estamos no comando”.

Washington afirma estar disposto a dialogar com o restante da estrutura governamental herdada do chavismo, desde que seus objetivos estratégicos sejam atendidos —especialmente a reabertura do país a investimentos americanos no setor de petróleo, onde a Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas do mundo.

O papel decisivo das Forças Armadas

Em meio à transição incerta, os militares seguem como o principal fiador do poder. Historicamente ligados ao chavismo, eles mantêm, ao menos por ora, apoio a Rodríguez. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, continua alinhado ao governo interino.

Especialistas apontam que uma mudança de regime colocaria em risco privilégios econômicos e poderia expor integrantes das Forças Armadas a investigações por violações de direitos humanos, incluindo prisões arbitrárias, tortura e assassinatos.

Ainda assim, o economista Manuel Sutherland vê espaço para fissuras. “Delcy Rodríguez não é popular entre os militares. São cerca de 2.500 generais, todos interessados em preservar benefícios e negócios”, afirma.

Oposição segue à margem

Enquanto isso, a líder opositora María Corina Machado acompanha os desdobramentos do exílio. Apesar de ter unificado a oposição no passado e conquistado amplo apoio popular, Machado não foi reconhecida por Trump como liderança viável para assumir o país.

Mesmo assim, analistas avaliam que ela ainda pode desempenhar papel relevante ao reorganizar apoiadores e pressionar, a partir do exterior, por uma transição democrática com eleições livres. O desafio, porém, é mobilizar apoio interno com grande parte da oposição fora do país.

Democracia fora da equação

Até o momento, as sinalizações do governo americano indicam que o foco está no controle geopolítico e no acesso às reservas de petróleo, não na promoção imediata de reformas democráticas. Não houve cobranças públicas por eleições livres nem por garantias institucionais.

O cenário que se desenha é o de uma Venezuela possivelmente reintegrada à esfera de influência dos Estados Unidos, sob uma liderança cooperativa —ainda que com legitimidade democrática limitada ou inexistente.