
Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam, nesta quarta-feira (7), dois navios petroleiros que transportavam petróleo de origem venezuelana, em uma das operações navais mais complexas desde o início da ofensiva contra o regime de Nicolás Maduro. Um dos navios navegava sob bandeira russa e foi abordado no Atlântico Norte; o outro, de menor porte, foi capturado no Caribe.
A operação ocorre poucos dias após a captura de Maduro e de sua esposa por forças norte-americanas, no sábado (3), e é vista como uma escalada direta da pressão militar e econômica sobre Caracas e seus aliados internacionais.
O principal alvo da ação foi o petroleiro Marinera, com cerca de 333 metros de comprimento, construído em 2002. Segundo autoridades americanas, o navio transportava petróleo venezuelano e tentava alcançar o porto russo de Murmansk, no Ártico, atravessando a chamada Brecha GIUK — corredor estratégico entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido.
Para impedir a passagem, os EUA deslocaram aproximadamente 20 aeronaves para bases no Reino Unido, incluindo aviões de transporte, reabastecimento aéreo e dois AC-130J, conhecidos como “tanques voadores”, embora não tenham sido utilizados em combate.
A abordagem final ocorreu quando um helicóptero MH-6 Little Bird, operado por forças especiais norte-americanas a partir de um navio da Guarda Costeira, interceptou o petroleiro em meio a condições climáticas adversas. Imagens exibidas pela televisão estatal russa RT mostram a tentativa de aproximação em meio a uma tempestade.
Antes da apreensão, o navio havia desligado seus sistemas de comunicação e realizado uma manobra brusca em direção ao sul, segundo dados de monitoramento marítimo. Inicialmente identificado como Bella-1, com bandeira da Guiana, o petroleiro passou a operar sob registro russo, adotando o nome Marinera e declarando origem em Sochi, no mar Negro.
A mudança, que tinha como objetivo obter proteção diplomática de Moscou, não impediu a ação americana. Na véspera da interceptação, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia divulgou nota pedindo respeito à liberdade de navegação prevista no direito internacional.
Após a apreensão, autoridades russas acusaram os EUA de violação das leis marítimas e chegaram a classificar a ação como “pirataria”. Moscou também solicitou que os tripulantes recebam tratamento adequado e sejam repatriados.
Paralelamente, o Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou a interceptação de um segundo petroleiro, de aproximadamente 72 metros, no mar do Caribe. A embarcação operava sob bandeira panamenha, mas, segundo Washington, não possuía registro válido no momento da abordagem.
O navio, identificado como Sophia, já estava sob sanções americanas, embora não houvesse ordem judicial específica para sua apreensão. A ação envolveu um helicóptero MH-60 Seahawk e ocorreu sem resistência significativa, segundo autoridades.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano permanece em vigor “em qualquer lugar do mundo”, reforçando que as ações não se limitam a uma região específica.
A Rússia é considerada, ao lado da China, uma das principais aliadas estratégicas do chavismo, tendo fornecido bilhões de dólares em armamentos à Venezuela ao longo das últimas décadas e mantido operações no setor petrolífero até a intensificação das sanções internacionais.
Analistas em Moscou, no entanto, minimizaram relatos sobre o envio de um submarino russo para escoltar o petroleiro, avaliando que um confronto direto com Washington não estaria nos planos do presidente Vladimir Putin, especialmente em meio às negociações paralelas sobre a guerra na Ucrânia.
Autoridades americanas avaliam que, caso o bloqueio se mantenha, a Venezuela pode enfrentar um colapso econômico ainda neste mês, ampliando a instabilidade regional.