
Governos europeus passaram a discutir medidas diplomáticas e estratégicas diante da intensificação das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Groenlândia. A possibilidade de uma anexação do território, que é administrado pela Dinamarca, tem gerado preocupação sobre os impactos na estabilidade da Otan e nas relações entre Washington e a Europa.
Segundo a agência Associated Press, autoridades dinamarquesas e do governo groenlandês solicitaram uma reunião urgente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, com o objetivo de reduzir a tensão e esclarecer as intenções da Casa Branca.
A reação europeia ganhou força após declarações recentes de Trump indicando que o uso das Forças Armadas para assumir o controle da Groenlândia não está descartado. Diante disso, a França começou a articular, junto a aliados, um plano de resposta caso os EUA avancem sobre o território.
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, afirmou que o tema seria tratado em encontro com seus homólogos da Alemanha e da Polônia, defendendo uma posição coordenada. “Queremos agir, mas de forma conjunta com nossos parceiros europeus”, declarou em entrevista à rádio France Inter.
Nos últimos dias, líderes de países europeus e também do Canadá reafirmaram apoio à Groenlândia, destacando que o território pertence ao seu povo e que qualquer decisão sobre seu futuro deve partir exclusivamente da Dinamarca e dos próprios groenlandeses.
Embora os Estados Unidos já mantenham presença militar na ilha por meio da Base Espacial Pituffik, Trump tem reiterado que deseja controlar todo o território. A Casa Branca afirmou, na terça-feira (6), que o emprego de meios militares é uma possibilidade, o que ampliou o desconforto entre aliados europeus.
Em comunicado, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a Groenlândia é considerada uma prioridade de segurança nacional para Washington, sobretudo diante da presença crescente de Rússia e China no Ártico.
Rubio, por sua vez, declarou a parlamentares que a intenção do presidente americano seria comprar o território, e não ocupá-lo militarmente. No mesmo dia, Trump pediu a seus assessores a atualização de um plano para aquisição da ilha, ideia que já havia sido apresentada durante seu primeiro mandato, em 2019.
Autoridades dinamarquesas reagiram com firmeza. A primeira-ministra Mette Frederiksen alertou que uma ação militar americana contra a Groenlândia poderia representar uma ruptura sem precedentes dentro da Otan, colocando em risco a arquitetura de segurança construída desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que é necessário substituir o tom de confronto por diálogo. Em publicação nas redes sociais, escreveu que “a troca de acusações deve dar lugar a uma conversa mais sensata”.
Rasmussen e a chanceler groenlandesa Vivian Motzfeldt formalizaram o pedido de reunião com Rubio para tratar diretamente da crise.
Com cerca de 57 mil habitantes, a Groenlândia é a maior ilha do mundo e ocupa uma posição estratégica entre a América do Norte e a Europa. Durante décadas, foi considerada peça-chave no sistema de defesa antimísseis dos EUA.
Além da localização, o território possui reservas de minerais, petróleo e gás natural, fatores que reforçam o interesse de Washington em ampliar sua influência na região e reduzir a dependência de cadeias dominadas pela China. Apesar disso, o desenvolvimento da mineração segue limitado, com investimentos estrangeiros ainda modestos.
Analistas apontam que o aumento da militarização do Ártico, com maior presença da Otan, da Rússia e da China, tende a ampliar disputas geopolíticas nos próximos anos, tornando a Groenlândia um dos principais focos de tensão internacional.