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Venezuela anuncia libertação de presos políticos

Anúncio foi feito pelo presidente da Assembleia Nacional; regime diz que medida é “gesto unilateral de paz” e não divulgou lista de beneficiados

Lavínia Dornellas
Por: Lavínia Dornellas
08/01/2026 às 16h08
Venezuela anuncia libertação de presos políticos
Foto: Reprodução

O regime chavista anunciou nesta quinta-feira (8) que iniciará a libertação de presos políticos na Venezuela, incluindo cidadãos estrangeiros. A informação foi confirmada pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, durante pronunciamento oficial transmitido pela imprensa estatal.

Segundo Rodríguez, a decisão foi tomada pelo governo bolivariano em conjunto com instituições do Estado e tem como objetivo favorecer a “convivência pacífica”. Ele afirmou que se trata de um gesto unilateral, sem acordo prévio com outros países ou atores internacionais. Até o momento, o regime não divulgou quantos presos serão soltos nem os nomes dos beneficiados.

Rodríguez acrescentou que os processos de libertação já estariam em andamento e que as solturas ocorreriam “nas próximas horas”. Em seguida, agradeceu publicamente a líderes e governos que, segundo ele, atuaram em defesa da Venezuela, citando o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo do Qatar.

O anúncio ocorre poucos dias após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos Estados Unidos. Desde então, o país é comandado de forma interina por Delcy Rodríguez, irmã de Jorge Rodríguez.

Caso se confirme, esta será a primeira liberação de presos políticos sob a gestão interina, em meio a forte pressão internacional e a um cenário de instabilidade política e econômica.

Reação de organizações de direitos humanos

A ONG Foro Penal, que monitora detenções por motivação política no país, estima que 806 pessoas estejam presas nessas condições, entre elas militares, mulheres e ao menos um adolescente. Em publicação nas redes sociais, o presidente da entidade, Alfredo Romero, afirmou que a organização acompanhará caso a caso.

Segundo a Foro Penal, o regime venezuelano mantém práticas recorrentes de detenções arbitrárias, perseguição política e desaparecimentos forçados, especialmente contra opositores, ativistas e integrantes de partidos dissidentes.

Próximos passos

Ainda não há um cronograma oficial, lista de nomes nem critérios para a libertação dos presos. A expectativa é de que novas informações sejam divulgadas nas próximas horas, à medida que as solturas forem confirmadas.

A repercussão internacional e a resposta da oposição venezuelana devem indicar se o gesto terá efeitos práticos na redução da crise política ou se será visto apenas como uma medida pontual em meio ao agravamento do isolamento do regime.

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