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Trump retira EUA de mais de 60 organismos internacionais
Proclamação retira o país de 35 entidades fora da ONU e de 31 órgãos vinculados às Nações Unidas; decisão aprofunda ruptura com o multilateralismo
08/01/2026 17h35
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou nesta quarta-feira (7) a retirada do país de mais de 60 organizações internacionais. A decisão foi formalizada por meio de uma proclamação da Casa Branca e atinge 35 entidades que não integram o sistema das Nações Unidas e outras 31 diretamente vinculadas à Organização das Nações Unidas.

Segundo o governo americano, os organismos dos quais os EUA estão se desligando “operam de forma contrária aos interesses nacionais” e não estariam alinhados às prioridades da atual administração.

A maior parte das entidades afetadas é composta por agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU, especialmente aqueles voltados a temas climáticos, direitos trabalhistas, igualdade de gênero e políticas de diversidade — agendas que o governo Trump classifica como “woke”.

Entre os organismos citados estão a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

A Casa Branca afirma que a permanência nessas instituições impõe custos financeiros e compromissos políticos considerados incompatíveis com a linha adotada por Washington.

 

Corte seletivo de contribuições

Desde o início do novo mandato, Trump passou a adotar uma política de financiamento seletivo às organizações multilaterais. Na prática, os Estados Unidos mantêm contribuições apenas a operações e agências avaliadas como estratégicas para seus interesses geopolíticos e econômicos.

Analistas apontam que essa postura rompe com o padrão histórico da diplomacia americana. “O que estamos vendo é uma abordagem do tipo ‘ou do meu jeito ou nada feito’”, avaliou Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group. Segundo ele, trata-se de uma visão que condiciona a cooperação internacional aos termos impostos por Washington.

A decisão acelerou processos de reestruturação dentro da ONU, que já enfrenta dificuldades orçamentárias. Cortes de programas e de pessoal passaram a ser discutidos diante da redução do financiamento americano, historicamente um dos maiores da organização.

Organizações não governamentais que atuam em parceria com a ONU também relataram o encerramento de projetos, sobretudo após o corte drástico da ajuda externa promovido pelo governo Trump no ano passado, que levou ao fechamento da USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional).

 

Precedentes no primeiro mandato

Esta não é a primeira vez que Trump promove uma retirada em larga escala de organismos multilaterais. Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, o republicano já havia determinado a saída dos EUA de instituições como o Conselho de Direitos Humanos da ONU, a UNESCO e, em meio à pandemia de Covid-19, da Organização Mundial da Saúde.

Em 2020, ao anunciar a saída da OMS, Trump acusou a entidade de ter sido influenciada pela China e de fornecer orientações equivocadas sobre o novo coronavírus. A retirada formal foi concluída no ano seguinte.

A nova proclamação reforça a estratégia de Trump de reduzir o engajamento dos Estados Unidos em fóruns multilaterais e de priorizar acordos e alianças moldados exclusivamente aos interesses de seu governo.