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Trump diz que controle dos EUA na Venezuela pode durar anos

Presidente afirma que Washington vai administrar o país e explorar petróleo por tempo indeterminado; republicano evita falar em prazo para eleições e confirma contato constante com o governo interino em Caracas

Por: Lavínia Dornellas
08/01/2026 às 17h53 Atualizada em 08/01/2026 às 18h16
Trump diz que controle dos EUA na Venezuela pode durar anos
Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a supervisão americana sobre a Venezuela pode se estender por anos. Em entrevista de quase duas horas ao The New York Times, concedida na noite desta quarta-feira (7), Trump disse que não há prazo definido para o fim da atuação direta dos EUA no país sul-americano e indicou que a exploração do petróleo venezuelano será central nesse processo.

“Só o tempo dirá”, declarou ao ser questionado sobre a duração da supervisão americana. Diante da insistência dos jornalistas sobre um possível limite — meses ou um ano —, respondeu: “Eu diria muito mais tempo”.

Durante a entrevista, Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem administrar a Venezuela de forma “lucrativa”, utilizando as vastas reservas de petróleo do país. Segundo ele, Washington vai extrair petróleo, reduzir os preços internacionais e, ao mesmo tempo, repassar recursos aos venezuelanos.

“Vamos usar petróleo e vamos extrair petróleo. Estamos reduzindo os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que eles desesperadamente precisam”, disse o presidente.

As declarações ocorreram horas depois de autoridades da Casa Branca confirmarem que os EUA planejam assumir, por tempo indeterminado, o controle da comercialização do petróleo venezuelano. A medida integra um plano em três fases apresentado ao Congresso pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

Enquanto parlamentares republicanos demonstram apoio às ações militares e políticas adotadas na Venezuela, democratas voltaram a alertar para o risco de uma intervenção internacional prolongada, sem respaldo legal claro.

Especialistas em direito internacional também questionam a legalidade da operação americana, classificando a iniciativa como um afastamento da ordem internacional baseada em regras.

 

Relação com o governo interino

Trump evitou comentar por que reconheceu Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, como líder interina da Venezuela, em vez de apoiar María Corina Machado, principal nome da oposição, que liderou uma campanha vitoriosa contra o chavismo em 2024.

Questionado se havia conversado diretamente com Delcy, o presidente se esquivou. “Marco fala com ela o tempo todo”, disse, em referência a Rubio. Em seguida, acrescentou: “Estamos em comunicação constante com ela”.

O presidente também não assumiu qualquer compromisso público sobre a realização de eleições na Venezuela, país que manteve uma tradição democrática até a chegada de Hugo Chávez ao poder, em 1999.

Durante a entrevista, Trump voltou a elogiar a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para julgamento em Nova York. Segundo o presidente, ele acompanhou de perto o treinamento das forças americanas, que incluiu a construção de uma réplica em tamanho real do complexo presidencial venezuelano em uma base militar no Kentucky.

Trump disse que temia que a ação se transformasse em um “desastre de Jimmy Carter”, em referência à frustrada operação de resgate de reféns no Irã, em 1980. “Isso destruiu toda a administração dele”, afirmou.

 

Conversa com Gustavo Petro

A entrevista ao New York Times foi interrompida por uma ligação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, dias depois de Trump ter ameaçado ações contra o país sob acusações de falhas no combate ao narcotráfico.

Trump autorizou os repórteres a permanecerem no Salão Oval durante a conversa, desde que o conteúdo não fosse publicado. Após a ligação, indicou que as tensões haviam diminuído e afirmou acreditar que a captura de Maduro serviu de alerta a outros líderes da região.

 

Mortes e reações na Venezuela

De acordo com o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, o ataque americano do último sábado (3) deixou cem mortos e número semelhante de feridos. “Terrível o ataque contra o nosso país”, afirmou durante programa de televisão.

A captura de Maduro encerrou meses de pressão de Washington, que incluiu apreensão de navios suspeitos de transportar petróleo venezuelano e ataques a embarcações associadas ao tráfico de drogas.

Empossada no Parlamento na segunda-feira (5), Delcy Rodríguez declarou fidelidade a Maduro e enfrenta agora o desafio de reorganizar o chavismo sob forte pressão dos Estados Unidos, enquanto o futuro político da Venezuela segue indefinido.

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