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Família do ministro Toffoli teve empresa ligada a fundo do caso Master
Fundo Arleen, conectado a cadeia de investimentos associada ao Banco Master, teve participação em empresas de familiares do ministro do STF, relator do inquérito sobre o banco
12/01/2026 14h13 Atualizada há 8 meses
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Um fundo de investimentos conectado à cadeia financeira apontada por investigadores como parte da suposta teia de fraudes do Banco Master aparece como sócio de empresas ligadas a irmãos e a um primo do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Toffoli é o relator do inquérito que apura irregularidades envolvendo o banco, que teve a liquidação extrajudicial decretada em novembro.

As informações constam em documentos oficiais analisados pela Folha de S.Paulo. Segundo a apuração, o Arleen Fundo de Investimentos manteve participação societária em empreendimentos vinculados a familiares do ministro até, pelo menos, maio de 2025.

O Arleen Fundo de Investimentos detinha ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort localizado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná. O empreendimento tinha como sócios José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro.

O mesmo fundo também aparece com participação direta na DGEP Empreendimentos, uma incorporadora imobiliária na mesma cidade paranaense, que tinha entre seus sócios um primo de Dias Toffoli.

Apesar das conexões financeiras, o fundo Arleen não é alvo formal das investigações em curso.

Ligação com o caso Banco Master

A conexão com o caso Master ocorre por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen figura como cotista do RWM Plus, que, por sua vez, recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95 — um dos seis fundos apontados pelo Banco Central do Brasil como integrantes da estrutura supostamente usada pelo Banco Master em operações fraudulentas.

Todos esses fundos têm como administradora a Reag, empresa que também geria fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master. A Reag é investigada na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não há irregularidades nem envolvimento do Banco Master com fraudes, fundos ilícitos ou movimentações destinadas a beneficiar terceiros. Segundo a defesa, o banco “nunca foi gestor, administrador ou cotista” dos fundos mencionados e colabora com as autoridades.

Procurados pela Folha, Dias Toffoli e seus familiares não se manifestaram.

O Arleen Fundo de Investimentos, que tinha apenas um cotista, foi encerrado no fim de 2025. De acordo com balanço de maio daquele ano, seus ativos se limitavam a quatro aplicações: duas empresas ligadas à família Toffoli, uma holding que não consta em bases públicas e o fundo RWM Plus.

Toffoli é relator do inquérito no STF

No Supremo Tribunal Federal (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli é o relator do inquérito que apura as supostas fraudes do Banco Master. O ministro decretou sigilo sobre a investigação e determinou a realização de uma acareação entre investigados e um diretor do Banco Central responsável pela fiscalização do sistema financeiro — medida que gerou críticas políticas.

O Banco Master teve a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em 18 de novembro, no âmbito de apurações sobre um suposto esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições do Sistema Financeiro Nacional.

Investigadores sustentam que a cadeia de fundos administrados pela Reag teria sido usada para desviar recursos emprestados pelo banco, por meio da compra de ativos de baixo valor com o objetivo de inflar artificialmente balanços e mascarar prejuízos.