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Europa se arma para conter investida de Trump na Groenlândia
Reino Unido e Alemanha lideram articulação para reforçar presença militar no Ártico; premiê da Dinamarca afirma que não fará concessões aos EUA
12/01/2026 16h25 Atualizada há 9 meses
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Países europeus discutem a possibilidade de reforçar a presença militar na Groenlândia diante das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar o território, que pertence à Dinamarca. A informação foi divulgada no domingo (11) pela agência Bloomberg, com base em fontes diplomáticas.

Segundo a reportagem, a iniciativa é liderada por Reino Unido e Alemanha e tem como objetivo demonstrar a Trump que a Europa trata a segurança do Ártico como prioridade estratégica. A proposta em debate inclui a criação de uma missão conjunta da OTAN para proteger a região.

Nesta segunda-feira (12), um porta-voz do governo alemão confirmou que a Otan discute formas de fortalecer a segurança no Ártico como resposta direta à pressão exercida pelos EUA. A avaliação é que o reforço europeu poderia reduzir as preocupações de Washington com a presença da Rússia e da China na região.

A discussão ocorre após Trump afirmar que os Estados Unidos “precisam” controlar a Groenlândia para impedir que russos ou chineses ampliem sua influência no Ártico. Países nórdicos, no entanto, negam a existência de operações militares relevantes dessas potências próximas à ilha.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, declarou no domingo que o país e seus aliados europeus estão diante de uma “encruzilhada histórica”. Segundo ela, uma eventual ação militar americana contra a Groenlândia colocaria em risco a própria existência da Otan.

“Se os americanos ameaçarem um aliado, o mundo como conhecemos pode parar”, afirmou Frederiksen durante evento político, segundo a emissora dinamarquesa TV2. A premiê disse ainda que deixará claro aos EUA que a Dinamarca não fará concessões em “valores fundamentais” durante a reunião prevista com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Frederiksen reforçou que a Groenlândia não está à venda e seguirá sob soberania dinamarquesa, posição já manifestada publicamente pelo governo local da ilha.

Pressão militar e via diplomática

Apesar da escalada retórica, Washington também trabalha em uma alternativa diplomática. Rubio deve se reunir nos próximos dias com autoridades dinamarquesas e groenlandesas em Washington para discutir a situação. A Casa Branca confirmou que Trump avalia uma proposta de compra do território, sem descartar o uso da força caso considere necessário.

Segundo a agência Reuters, o governo americano chegou a discutir a possibilidade de oferecer incentivos financeiros a moradores da Groenlândia para apoiar a anexação —informação que provocou reação negativa entre aliados europeus.

Enquanto isso, a Otan passou a divulgar imagens recentes de tropas da aliança no Ártico, em uma sinalização política num momento em que a Europa avalia planos de contingência caso as ameaças de Trump se concretizem.