
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13), a nona fase da Operação Overclean, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os alvos está o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no apartamento funcional do parlamentar, em Brasília.
As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridas em nove endereços, localizados no Distrito Federal e em municípios da Bahia, como Salvador e Mata de São João. Segundo a PF, o objetivo é desarticular uma organização criminosa suspeita de envolvimento em corrupção, peculato, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
Além das buscas, o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida, de acordo com a PF, busca interromper a movimentação de valores de origem ilícita e preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos e lavagem de dinheiro. A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
Félix Mendonça Jr. já havia sido alvo da Overclean em junho do ano passado. Na ocasião, a PF apontou que um grupo criminoso atuaria para liberar emendas parlamentares destinadas aos municípios baianos de Boquira, Ibipitanga e Paratinga, entre 2021 e 2024, mediante pagamento de vantagens indevidas e manipulação de procedimentos licitatórios. Havia indícios de que um assessor do parlamentar seria o principal operador financeiro do esquema, o que resultou em medidas de busca e afastamento do cargo.
Em fases anteriores, a investigação também indicou a possível atuação do grupo no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão vinculado ao Ministério da Integração Nacional. Segundo a PF, os desvios envolveriam direcionamento de emendas e convênios para empresas ligadas a administrações municipais, com superfaturamento de obras e desvios financeiros. O montante movimentado pode chegar a R$ 1,4 bilhão.
Em nota, a assessoria de Félix Mendonça Jr. afirmou que o parlamentar recebeu a nova operação “com surpresa” e destacou que já houve diligência semelhante em junho de 2025, sem a identificação de irregularidades. A defesa sustenta que não há fatos novos que justifiquem a medida e afirma que o deputado tem colaborado integralmente com as investigações.
O texto também ressalta que Mendonça Jr. “jamais negociou a execução de emendas, nunca indicou empresas e não exerce função de ordenador de despesas”, reiterando confiança de que sua inocência será confirmada ao fim das apurações.
Natural de Itabuna (BA), Félix de Almeida Mendonça Júnior é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia e está em seu quarto mandato como deputado federal pelo PDT, desde 2011. Atualmente, ocupa a Secretaria de Relações Internacionais da Câmara dos Deputados e já presidiu comissões na Casa. Em 2025, integrou um grupo de trabalho voltado à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
A PF informou que as investigações seguem em andamento e que novas diligências não estão descartadas.