Geral Saúde
Unidades de saúde de Goiânia operam em estado crítico
Sindicato denuncia abandono em ao menos oito unidades e paralisa atendimentos de urgência e emergência na capital
15/01/2026 16h38
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Ao menos oito unidades públicas de saúde de Goiânia enfrentam situação de abandono, precarização estrutural e falta de condições mínimas de funcionamento, segundo denúncia do Sindicato dos Médicos do Estado de Goiás (Simego). Diante do cenário, a entidade anunciou a paralisação dos atendimentos de urgência e emergência nesta terça-feira (13). Até o momento, não há previsão para a retomada dos serviços.

Imagens e vídeos divulgados pelo sindicato mostram problemas graves como falta de medicamentos, infiltrações, vazamentos, presença de animais, mato alto e móveis deteriorados em unidades como o Cais Bairro Goiá, UPA Itaipu, Cais Vila Nova, UPA Noroeste, Cais Campinas, Cais Cândida de Morais, Ciams Urias Magalhães e o CSF Jardim Primavera.

No Centro de Saúde da Família (CSF) Jardim Primavera, parte do telhado cedeu durante uma chuva recente. De acordo com o Simego, a unidade sofre com alagamentos frequentes, situação que se agravou com o período chuvoso. Para tentar proteger vacinas e outros insumos, profissionais improvisaram uma cobertura com lona dentro da sala de vacinação.

Problema semelhante também foi registrado no Cais Vila Nova, onde infiltrações e vazamentos colocam em risco tanto os materiais quanto a segurança de pacientes e trabalhadores.

 

Estrutura deteriorada e móveis inutilizáveis

No Cais Campinas e na UPA Noroeste, a principal reclamação é a ausência de manutenção estrutural. Parte do mobiliário está enferrujada ou danificada, o que impede o uso adequado e representa risco à saúde. Além disso, paredes e tetos apresentam mofo, consequência de falhas na impermeabilização das lajes.

Já na UPA Itaipu e no Cais Cândida de Morais, pacientes precisam se revezar nos poucos assentos que ainda estão em condições de uso. Segundo o sindicato, não é raro que usuários disputem espaço com cães de rua que entram nas unidades em busca de abrigo.

As denúncias também incluem a presença constante de animais dentro das unidades de saúde. Nas imagens divulgadas, aparecem aranhas, ratos, lacraias e varejeiras, inclusive em bebedouros. Em algumas unidades, sapos chegaram a invadir os ambientes, atraídos pela grande quantidade de insetos no mato alto que cerca os prédios.

 

Reivindicação dos profissionais

Diante do quadro, os médicos cobram investimentos urgentes na rede municipal de saúde, com melhorias estruturais, manutenção predial, reposição de mobiliário, garantia de insumos e condições adequadas de trabalho. Segundo o Simego, a paralisação é uma forma de alertar o poder público sobre os riscos enfrentados diariamente por pacientes e profissionais.

A reportagem aguarda posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia sobre as denúncias e a paralisação dos atendimentos.