
Horas após um novo episódio de violência envolvendo um agente federal de imigração em Minneapolis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou recorrer às Forças Armadas para conter protestos contra o ICE. A declaração foi feita após um agente atirar contra um imigrante venezuelano durante uma abordagem, o que desencadeou novas manifestações na cidade.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que poderá invocar a Lei da Insurreição caso autoridades de Minnesota não controlem o que chamou de “agitadores e insurrecionistas”. A legislação, criada no século 19, autoriza o uso de militares em solo americano quando distúrbios civis superam a capacidade das forças locais de manter a ordem.
A simples menção à lei elevou o nível de alerta entre autoridades estaduais e municipais, que vêm criticando a atuação do governo federal na região. Prefeitos e governadores democratas acusam o ICE de adotar métodos agressivos e de ampliar o clima de instabilidade em comunidades imigrantes.
O estopim mais recente ocorreu na quarta-feira (14), quando um agente do ICE atirou contra um homem durante uma fiscalização de trânsito em Minneapolis. Segundo o Departamento de Segurança Interna, o homem, identificado apenas como imigrante da Venezuela, teria resistido à prisão e entrado em confronto físico com o agente. Ele foi atingido na perna e levado ao hospital. Não há informações sobre seu estado de saúde nem sobre prisões relacionadas ao protesto que se seguiu.
O chefe de polícia local, Brian O’Hara, confirmou que uma multidão foi às ruas após o caso e que alguns manifestantes lançaram fogos de artifício contra policiais. Apesar da tensão, não houve registro oficial de feridos ou detenções durante os atos.
O episódio se soma à morte de Renee Nicole Good, cidadã americana de 37 anos, baleada por um agente do ICE na semana anterior. A morte provocou protestos em massa e críticas abertas do prefeito Jacob Frey e do governador Tim Walz, que classificaram a presença federal como “caótica” e “traumática” para a população.
Walz afirmou que agentes federais vêm realizando abordagens porta a porta, muitas vezes armados e mascarados, o que, segundo ele, agrava o medo e a instabilidade na comunidade. Mesmo diante das críticas, o governo Trump descartou abrir investigação sobre a morte de Good, sustentando que o agente agiu em legítima defesa — versão contestada por organizações civis.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quinta-feira mostra que o tema divide a sociedade americana. Entre republicanos, 59% defendem priorizar prisões mesmo com risco de ferimentos, enquanto 39% preferem reduzir danos. Entre democratas, 96% afirmam que evitar ferimentos deve ser prioridade. O levantamento ouviu 1.217 pessoas e tem margem de erro de três pontos percentuais.
O embate em Minneapolis expõe o aprofundamento da crise entre o governo federal e lideranças locais e reacende o debate sobre os limites do uso da força em operações de imigração nos Estados Unidos.