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Toffoli reduz prazo de depoimentos no caso Master e pede novo cronograma
Ministro do STF limita oitivas a dois dias e decisão amplia tensão entre Polícia Federal e Supremo; Toffoli pede também quatro peritos específicos para analisar o material apreendido
16/01/2026 14h31
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução / Arte Lig Digital

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou a redução do prazo para a oitiva dos investigados no caso do Banco Master. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF) e limita os depoimentos a, no máximo, dois dias. Agora, a PF deverá apresentar um novo cronograma com datas alternativas.

Antes da mudança, as oitivas estavam previstas para ocorrer entre 23 e 28 de janeiro. No despacho, Toffoli destacou que as oitivas já haviam sido autorizadas desde 15 de dezembro e citou limitações estruturais, como disponibilidade de salas e pessoal, nas dependências do STF.

Relator da investigação que apura supostas fraudes envolvendo a instituição financeira ligada ao empresário Daniel Vorcaro, o ministro acolheu formalmente o pedido da PF no último dia 13. O caso tramita sob sigilo no Supremo desde o fim do ano passado.

A decisão sobre os depoimentos ocorre em meio a um ambiente de tensão entre o STF e a PF. Na quinta-feira (15), Toffoli também definiu nominalmente quatro peritos da Polícia Federal que poderão analisar o material apreendido na investigação, movimento considerado incomum dentro da corporação.

Nos bastidores, a escolha direta dos nomes, sem consulta à direção da PF, foi interpretada como uma interferência na autonomia administrativa do órgão. O procedimento padrão prevê que o Instituto Nacional de Criminalística indique os peritos conforme a especialidade necessária para cada caso.

Apesar do desconforto institucional, fontes da investigação reconhecem a elevada qualificação técnica dos profissionais indicados. Ainda assim, a PF avalia que a falta de familiaridade dos peritos com o histórico da apuração pode atrasar o andamento dos trabalhos.

 

Disputa sobre a perícia dos dados

O impasse ganhou novos capítulos ao longo da semana. Inicialmente, Toffoli determinou que os equipamentos apreendidos ficassem sob custódia do STF. Em seguida, transferiu a análise para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Por fim, autorizou que a perícia fosse realizada por peritos previamente indicados por ele.

A PF alertou que a retenção dos equipamentos sem extração imediata de dados poderia comprometer a investigação, especialmente diante do volume de informações digitais envolvidas. A corporação dispõe de tecnologia capaz de acessar celulares mesmo desligados e sem senha, técnica considerada essencial para garantir a integridade das provas.

 

Fraude bilionária e impacto institucional

O caso Master tornou-se um dos maiores escândalos financeiros recentes. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB, em operações estimadas em R$ 12,2 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a classificar o episódio como uma das maiores fraudes bancárias do país.

A decisão do BC passou a ser questionada e levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a determinar uma inspeção no processo. Paralelamente, a PF investiga ataques digitais contra o Banco Central e pagamentos a influenciadores para desacreditar a atuação da autoridade monetária.

A primeira fase da operação ocorreu em novembro e resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro, detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos ao tentar deixar o país. Ele foi solto dias depois por decisão judicial.

Diante do acirramento institucional, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, avaliam a possibilidade de recurso contra a decisão que define peritos específicos para o caso.

Enquanto isso, Toffoli aguarda que a Polícia Federal apresente o novo cronograma de depoimentos. A definição das datas deve marcar a retomada formal das oitivas em um inquérito que segue no centro do debate jurídico, político e econômico do país.