A repressão violenta promovida pelo governo do Irã parece ter contido, ao menos por enquanto, os protestos que se espalharam pelo país desde o fim de dezembro. Relatos de moradores, grupos de direitos humanos e a mídia estatal indicam redução das manifestações, enquanto os Estados Unidos mantêm pressão diplomática e militar e alertam Teerã para possíveis consequências caso as mortes continuem.
O arrefecimento ocorreu após declarações do presidente Donald Trump, que disse ter sido informado de que a repressão estava diminuindo. Desde então, aliados regionais de Washington intensificaram a diplomacia para evitar um ataque americano, temendo impactos para a estabilidade do Oriente Médio.
Com a internet amplamente bloqueada, moradores de Teerã relataram à Reuters que a capital permanece tranquila desde o fim de semana, sem registros visíveis de protestos. Drones sobrevoando a cidade e a presença ostensiva de forças de segurança reforçam o clima de vigilância.
A organização curdo-iraniana Hengaw afirmou que não houve novos atos desde domingo e descreveu um ambiente de segurança “altamente restritivo”, com forte presença militar inclusive em cidades que antes registravam grandes manifestações.
A agência Tasnim, ligada ao regime, informou nesta sexta-feira (16) que cerca de 3.000 pessoas foram presas desde o início dos protestos. O número contrasta com estimativas de ONGs. Segundo a Iran Human Rights, aproximadamente 20 mil pessoas foram detidas e ao menos 3.428 manifestantes morreram em ações das forças de segurança.
As divergências refletem a dificuldade de verificação independente, agravada pelo bloqueio das comunicações e pela restrição à imprensa internacional.
A Casa Branca afirmou que Trump acompanha a situação de perto e mantém “todas as opções sobre a mesa”. A porta-voz Karoline Leavitt disse que o presidente entende que execuções programadas foram interrompidas, mas reforçou que haverá “graves consequências” se a repressão voltar a escalar.
Mesmo com o tom mais cauteloso, o Pentágono mobilizou dois grupos de porta-aviões para a região, ampliando a capacidade de dissuasão. Autoridades americanas também sinalizaram o deslocamento de ativos de defesa aérea e aeronaves para bases no Oriente Médio.
Paralelamente, Washington anunciou novas sanções contra autoridades iranianas, incluindo comandantes da Guarda Revolucionária e integrantes do Conselho Supremo de Segurança Nacional, além de medidas contra uma prisão e pessoas ligadas a esquemas financeiros paralelos.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou com o presidente iraniano Massoud Pezeshkian e se colocou à disposição para mediar a crise. Moscou também manteve contato com Israel, em meio a preocupações sobre uma escalada regional.
Países árabes do Golfo alertam para o risco de interrupção do comércio global de energia. Cerca de 20% do petróleo e do gás liquefeito do mundo passam pelo Estreito de Hormuz, rota estratégica sob influência iraniana.
As manifestações começaram em 28 de dezembro, impulsionadas pela alta da inflação e pelos efeitos das sanções sobre a economia iraniana, e rapidamente se transformaram em um dos maiores desafios ao regime desde 1979. Por ora, a combinação de repressão, bloqueio de internet e presença militar parece ter reduzido os atos de rua, mas o cenário segue instável e sob forte escrutínio internacional.