Os incêndios florestais que avançam de forma descontrolada no sul do Chile deixaram 19 mortos e provocaram a retirada de até 50 mil pessoas de suas casas neste domingo (18), segundo balanços atualizados das autoridades. As regiões mais afetadas são Ñuble e Biobío, cerca de 500 quilômetros ao sul de Santiago.
Em meio ao verão no hemisfério sul, com temperaturas elevadas e ventos fortes, bombeiros e brigadistas combatem múltiplos focos ativos. De acordo com a Corporação Nacional Florestal (Conaf), dezenas de incêndios seguem em combate, com prioridade para áreas povoadas.
“Estamos enfrentando um quadro complexo”, afirmou o ministro do Interior, Álvaro Elizalde, ao comentar o avanço das chamas durante a madrugada.
O epicentro da crise está nas localidades de Penco e Lirquén, na região metropolitana de Concepción. Em Penco, o prefeito Rodrigo Vera informou que ao menos 14 pessoas morreram carbonizadas após o fogo atingir bairros residenciais.
Moradores relataram que o incêndio avançou em questão de minutos. “Tivemos de sair apenas com a roupa do corpo. Se ficássemos mais 20 minutos, morreríamos carbonizados”, disse o estudante Matías Cid à AFP. Em Lirquén, parte da população correu para a praia para escapar das chamas. “Não sobrou nada de pé”, resumiu o morador Alejandro Arredondo.
Segundo Esteban Krause, o diretor da Corporação Nacional Florestal de Biobío (Conaf), as condições climáticas dificultam o combate. “O incêndio está absolutamente fora de controle”, afirmou. A previsão indica temperaturas acima de 30 °C e rajadas de vento, cenário que favorece a rápida propagação do fogo.
Cerca de 3.700 bombeiros atuam nas frentes de combate. Até o momento, centenas de casas foram destruídas e milhares de pessoas permanecem em abrigos temporários.
Durante a madrugada, o presidente Gabriel Boric decretou estado de catástrofe em Ñuble e Biobío, medida que permite o emprego das Forças Armadas para apoio logístico, segurança e evacuações. Boric anunciou que visitará as áreas atingidas e não descartou pedir ajuda internacional.
“São momentos muito difíceis para o país. Lamentavelmente, o número de vítimas pode aumentar”, disse o presidente em pronunciamento.
Nos últimos anos, o Chile tem sido severamente impactado por incêndios florestais, especialmente na região centro-sul. Em fevereiro de 2024, uma série de incêndios em Viña del Mar deixou 138 mortos, segundo o Ministério Público chileno, em um dos piores desastres do tipo no país.
As autoridades seguem monitorando a situação e alertam para o risco elevado enquanto persistirem o calor extremo e os ventos fortes.