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Quarto acidente de trem em uma semana na Espanha
Colisão ocorreu perto de Cartagena e deixou passageiros com ferimentos leves; série de ocorrências reacende debate sobre segurança e leva sindicato a convocar greve
22/01/2026 16h25
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Espanha voltou a registrar um acidente ferroviário nesta quinta-feira (22). Um trem de passageiros colidiu com um guindaste de obras em um trecho próximo à cidade de Cartagena, deixando pessoas feridas de forma leve. As autoridades locais não informaram o número exato de vítimas.

Segundo o governo regional da Região de Múrcia, o impacto não provocou o descarrilamento do trem. Ainda assim, a circulação na linha precisou ser interrompida por questões de segurança.

Em nota, a Adif — administradora da infraestrutura ferroviária espanhola — afirmou que o tráfego foi suspenso após a “invasão de um guindaste que não fazia parte da operação ferroviária”, sem detalhar como o equipamento acabou no trajeto da composição.

 Colisão entre dois trens em Adamuz / Foto: Reprodução

 

O episódio é o quarto acidente envolvendo trens no país desde o último domingo (18). Naquele dia, um grave descarrilamento em Adamuz, na província de Córdoba, deixou ao menos 45 mortos, configurando um dos piores desastres ferroviários da Europa nos últimos anos.

Na terça-feira (20), outro trem saiu dos trilhos em Gelida, na Catalunha, após fortes chuvas. O maquinista morreu no local e quatro passageiros ficaram gravemente feridos. No mesmo dia, um terceiro incidente foi registrado em Barcelona, quando uma rocha atingiu a linha férrea, provocando novo descarrilamento — desta vez, sem vítimas.

 

Greve e cobrança por segurança

Diante da sucessão de ocorrências, o Semaf (Sindicato Espanhol de Maquinistas Ferroviários) anunciou, na quarta-feira (21), a convocação de uma greve de três dias para fevereiro. A entidade exige investimentos urgentes em manutenção e reforço nas medidas de segurança da malha ferroviária.

“Os acidentes de Adamuz e Gelida representam um ponto de ruptura. É indispensável que todas as ações necessárias sejam tomadas para garantir a segurança das operações”, afirmou o sindicato em comunicado, acrescentando que pretende buscar a responsabilização criminal dos envolvidos.

O Semaf também informou que havia alertado a Adif, ainda em agosto de 2025, sobre problemas estruturais no trecho onde ocorreu o descarrilamento de Adamuz. Segundo o sindicato, buracos e irregularidades na via já vinham causando dificuldades para trens de alta velocidade que circulavam na região.

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, declarou compreender a apreensão dos maquinistas, mas criticou a paralisação anunciada.

“Respeitamos o estado de espírito dos profissionais, mas não concordamos que uma greve geral seja o melhor caminho”, afirmou. Puente também reiterou confiança no sistema ferroviário do país. “Nossa rede não é perfeita nem infalível, mas é um grande sistema de transporte público”, disse.

Como medida preventiva, a Adif determinou que, desde terça-feira, os trens que operam no eixo MadriBarcelona circulem com velocidade reduzida, na tentativa de evitar novos acidentes enquanto as condições das linhas são reavaliadas.