A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) firmou um contrato emergencial, sem licitação, no valor de R$ 14,9 milhões para a execução de serviços de poda de grama e roçagem mecanizada em bairros das regiões Sudoeste, Oeste e Noroeste de Goiânia. A contratação terá duração de 90 dias.
Segundo a companhia, a medida foi adotada diante da insuficiência temporária de maquinário e de equipes próprias para atender a demanda típica do período chuvoso, agravada pela necessidade de reforçar a manutenção urbana antes da realização da etapa brasileira do MotoGP, prevista para ocorrer entre os dias 20 e 22 de março.
A empresa contratada é a Sistemma Assessoria e Construções, escolhida por meio de dispensa de licitação sob a justificativa de emergência. A Sistemma pertence a um sócio que também integra a Quebec Construções e Tecnologia Ambiental, uma das empresas que compõem o consórcio Limpa Gyn, responsável pela coleta de lixo na capital.
No estudo técnico preliminar que fundamenta a contratação, a Comurg aponta que a demissão de 668 servidores, ocorrida em meados de 2025 no contexto de reestruturação administrativa, exigiu uma reorganização interna que impactou a execução de serviços operacionais, como a roçagem. O documento ressalta, no entanto, que não é possível atribuir de forma direta e mensurável os desligamentos à incapacidade atual de atendimento da demanda.
A companhia também afirma que havia planejamento para executar os serviços com recursos próprios, mas que fatores operacionais e administrativos superaram as premissas iniciais. Entre eles, está a indisponibilidade parcial do parque de máquinas, agravada pela frustração de processos licitatórios.
Um dos casos citados é o pregão eletrônico nº 28/2025, lançado em setembro do ano passado para a compra de roçadeiras costais, que não teve vencedores. Outro é o pregão nº 47/2025, realizado em novembro, que, segundo a Comurg, não foi suficiente para evitar atrasos no cronograma de manutenção, especialmente diante do aumento das demandas no período seguinte.
Em nota, a Comurg afirma que a contratação emergencial é temporária, necessária e respaldada pela legislação, com o objetivo de evitar riscos à ordem urbana, à segurança viária e à saúde pública. A proximidade de um evento internacional, segundo a empresa, exige que a cidade apresente “padrões urbanísticos de excelência”.
A companhia sustenta que aguardar os prazos de uma licitação convencional poderia gerar prejuízos à manutenção urbana. Por isso, a terceirização limitada a 90 dias foi considerada a única alternativa viável para recompor o cronograma de serviços.
Sobre a escolha da Sistemma, a Comurg informou que a decisão levou em conta critérios técnicos e o interesse público, destacando a capacidade de mobilização imediata da empresa e sua base operacional em Aparecida de Goiânia. Segundo a estatal, outras empresas consultadas não conseguiriam iniciar os trabalhos dentro do prazo exigido pela situação emergencial.