Geral Geral
Caso Master: PF cita Ibaneis e oposição pede impeachment no DF
Depoimento cita encontros e conversas institucionais sobre negociação com o BRB; governador do DF nega tratativas e diz ter confiado na diretoria do banco público
23/01/2026 14h43
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, declarou à Polícia Federal que manteve conversas com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília. A informação consta de depoimento prestado em 30 de dezembro do ano passado, no âmbito de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal e apura suspeitas de irregularidades na operação.

Segundo o relato de Vorcaro, divulgado inicialmente pelo Estado de S. Paulo e confirmado por outros veículos, os contatos com o governador teriam ocorrido de forma institucional e com a presença de terceiros. O ex-banqueiro afirmou ainda que já recebeu Ibaneis em sua residência e que também esteve na casa do chefe do Executivo do DF.

Após a divulgação da citação, partidos de oposição anunciaram medidas contra o governador. PSB e Cidadania informaram que vão apresentar conjuntamente um pedido de impeachment na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O PSOL declarou que também pretende protocolar requerimento de afastamento.

Procurado por meio da assessoria, Ibaneis não se manifestou inicialmente sobre o teor do depoimento. Posteriormente, em entrevista, negou de forma categórica ter tratado de assuntos ligados ao BRB com Vorcaro.

 

Governador nega tratativas

Ibaneis reconheceu que esteve com Vorcaro em ao menos duas ocasiões — um almoço na residência do empresário, em Brasília, e um encontro social em São Paulo —, mas afirmou que não discutiu operações financeiras. Segundo ele, todas as negociações relacionadas ao Banco Master foram conduzidas pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

“O Paulo sempre disse que era um excelente negócio. Confiei nas informações técnicas que ele me passou”, afirmou o governador, acrescentando que apoiou politicamente a operação com base nesses relatos. Ibaneis disse não se arrepender do apoio dado à época, alegando que agiu com os dados disponíveis naquele momento.

 

Investigação e papel do STF

O depoimento de Vorcaro ocorreu em procedimento sigiloso e incluiu mais de 80 perguntas formuladas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso. Desde dezembro, por decisão do próprio magistrado, todas as diligências relacionadas ao Banco Master passaram a depender de sua autorização.

A investigação aponta que, antes da formalização da venda ao BRB, o Banco Master teria negociado cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado — parte delas supostamente composta por contratos inexistentes ou inflados. O caso culminou na liquidação extrajudicial do banco, anunciada em 18 de novembro.

 

Avanço das apurações: Rioprevidência

Ação da PF no prédio onde mora o presidente da Rioprevidência / Foto: Reprodução

As apurações também alcançaram o Rioprevidência, regime previdenciário dos servidores do Rio de Janeiro. Em operação recente, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra dirigentes e ex-dirigentes da autarquia, suspeita de aplicar cerca de R$ 970 milhões em títulos ligados ao conglomerado de Vorcaro.

De acordo com a PF, os investimentos teriam exposto o patrimônio previdenciário a riscos elevados e incompatíveis com a finalidade do fundo. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já havia apontado irregularidades e determinado a suspensão de novos aportes em produtos financeiros ligados ao Banco Master.

Em nota, o Rioprevidência afirmou que todas as aplicações seguiram a legislação vigente e que há decisão judicial determinando a retenção dos valores investidos, com correção e juros, para resguardar o caixa previdenciário.

Com a ampliação das investigações e a repercussão política das declarações de Vorcaro, o caso do Banco Master passou a envolver não apenas dirigentes do sistema financeiro, mas também autoridades públicas. A tramitação de pedidos de impeachment e o avanço das apurações no STF e na Polícia Federal devem manter o tema no centro do debate político nas próximas semanas.