
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encerrou neste domingo (25), em Brasília, a caminhada iniciada no dia 19, em Paracatu (MG), em protesto pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O ato, planejado para marcar a chegada do parlamentar à capital federal, foi interrompido por um raio que atingiu a área da manifestação e deixou cerca de 89 pessoas feridas, segundo o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal.
Do total de atendidos, ao menos 47 foram encaminhados a hospitais da rede pública. O incidente ocorreu sob forte chuva, pouco antes do discurso de Nikolas, na Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental. Apesar da gravidade do episódio, o parlamentar não mencionou as vítimas durante sua fala.
No discurso, Nikolas concentrou ataques ao Supremo Tribunal Federal e a lideranças do Congresso Nacional. O deputado cobrou a instalação de comissões parlamentares mistas de inquérito para investigar o INSS e o Banco Master e criticou diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
“Queremos a CPMI do INSS e a CPMI do Banco Master”, afirmou o parlamentar, ao discursar sozinho no carro de som. O pastor Silas Malafaia, anunciado como presença no evento, não compareceu.
Após o encerramento do ato, Nikolas foi ao Hospital de Base do Distrito Federal, onde parte dos feridos recebeu atendimento. O deputado visitou pacientes, posou para fotos e publicou as imagens em suas redes sociais.
Em declaração, afirmou que o ocorrido foi um “incidente natural” e negou falhas na organização. “Não foi irresponsabilidade, nem falta de planejamento. Foi algo fora do nosso controle”, disse.
Levantamento do Monitor do Debate Político, do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, estimou que cerca de 18 mil pessoas participaram da manifestação no pico do ato, com margem de erro de 12%. Já a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal informou público superior a 50 mil pessoas, alegando dificuldades de contagem por causa da chuva intensa, da dispersão e do uso de guarda-chuvas.
Os manifestantes exibiam cartazes contra o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes, além de entoarem palavras de ordem e o Hino Nacional. O público incluía adultos, idosos, crianças e pessoas com deficiência.
Parlamentares da oposição criticaram duramente a realização do ato. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que Nikolas agiu de forma irresponsável e disse que pedirá investigação para apurar se houve negligência na condução da caminhada.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a caminhada ocorreu sem comunicação prévia às autoridades de trânsito, o que dificultou o planejamento de medidas de segurança viária. A PRF informou que chegou a monitorar o trajeto e alertar o gabinete do deputado sobre riscos operacionais.
Nikolas percorreu cerca de 250 quilômetros pela BR-040, saindo de Paracatu até Brasília. O objetivo declarado foi pressionar o Judiciário contra as condenações relacionadas aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e defender a anistia de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado e atualmente preso.
Durante o trajeto, o deputado afirmou ter recebido ameaças e passou a utilizar colete à prova de balas, por orientação da Polícia Legislativa Federal.
O evento foi encerrado por volta das 15h30, sob chuva, após o discurso do parlamentar.