
Um novo surto do vírus Nipah na Índia voltou a acender o alerta sanitário em países da Ásia. Considerado altamente letal e sem tratamento específico, o patógeno levou governos da região a reforçarem medidas de vigilância, especialmente em aeroportos com voos vindos de áreas afetadas.
No estado indiano de Bengala Ocidental, cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena após dois profissionais de saúde apresentarem infecção no início de janeiro. Eles haviam tido contato com casos confirmados da doença.
A situação levou países vizinhos a adotarem protocolos preventivos. A Tailândia, por exemplo, anunciou reforço nos controles sanitários em três aeroportos internacionais: Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket. Passageiros provenientes da Índia passaram por triagens, e áreas comuns dos terminais tiveram a limpeza intensificada. Até o momento, não há casos confirmados no país.
O vírus Nipah é uma doença zoonótica, transmitida de animais para humanos, principalmente por morcegos frugívoros e porcos, mas também pode se espalhar entre pessoas e por alimentos contaminados. O consumo de frutas ou produtos derivados contaminados por secreções de morcegos é apontado como uma das principais formas de infecção em surtos anteriores.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e vômitos, podendo evoluir rapidamente para alterações neurológicas, convulsões e falência respiratória. O período de incubação costuma variar entre quatro e 14 dias, mas há registros de até 45 dias. A taxa de letalidade pode chegar a 75%, segundo autoridades de saúde.
Pelo alto potencial de provocar epidemias, o Nipah integra a lista de vírus prioritários da Organização Mundial da Saúde, ao lado de ebola, zika e coronavírus. Sem vacina ou cura disponível, especialistas reforçam que vigilância, isolamento rápido de casos e controle rigoroso de contatos seguem sendo as principais armas para evitar uma disseminação mais ampla.