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Síndico confessa assassinato e nega ajuda do filho
Ele negou qualquer envolvimento do filho, Maicon Douglas de Oliveira, que também foi preso temporariamente no curso das investigações
29/01/2026 16h03
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O síndico Cléber Rosa de Oliveira afirmou que agiu sozinho ao matar a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no sul de Goiás. Em declaração feita nesta quarta-feira (28), ele negou qualquer envolvimento do filho, Maicon Douglas de Oliveira, que também foi preso temporariamente no curso das investigações.

“Meu filho não tem nada a ver com isso”, disse Cléber enquanto era conduzido à Central de Flagrantes, em Goiânia.

Apesar da versão apresentada pelo suspeito, a Polícia Civil de Goiás apura se Maicon ajudou o pai a ocultar provas após o crime, especialmente na tentativa de dificultar a apreensão do celular utilizado por Cléber.

Pai e filho foram presos na madrugada desta quarta-feira no prédio onde moravam. As prisões são temporárias, com prazo inicial de 30 dias, podendo ser prorrogadas por igual período.

Cléber é investigado por homicídio e ocultação de cadáver. Após ser detido, ele confessou o crime e levou os policiais até uma área de mata, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, onde indicou o local em que havia deixado o corpo da vítima.

Maicon, por sua vez, é investigado por possível obstrução da Justiça. Segundo a polícia, ele teria comprado um celular novo para o pai no mesmo dia em que a perícia no veículo de Cléber foi solicitada, o que levantou suspeita de tentativa de ocultação de provas. O aparelho antigo do síndico não foi localizado.

Um porteiro do prédio também foi conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos, mas não é considerado suspeito.

 

Desaparecimento e histórico de conflitos

Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025, quando foi vista pela última vez descendo ao subsolo do prédio onde morava. Imagens de câmeras de segurança mostram a corretora no elevador, mas não registram o momento do crime.

Segundo a polícia, Cléber utilizou escadas e áreas sem monitoramento, o que indica conhecimento prévio dos pontos cegos do sistema de segurança do edifício.

As investigações apontam que o assassinato pode ter sido planejado. Cléber teria abordado Daiane em um local próximo aos disjuntores elétricos — área sem câmeras — após uma discussão.

 

Possível motivação

A principal linha de investigação indica que o crime pode ter sido motivado por conflitos comerciais e de gestão imobiliária. Cléber administrava seis apartamentos pertencentes à família da vítima, mas a gestão foi transferida para Daiane, o que teria intensificado os atritos.

Segundo familiares, existem 12 processos judiciais envolvendo os dois. Em janeiro deste ano, o Ministério Público denunciou Cléber por perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, já que ele era síndico do prédio onde Daiane residia.

 

Indícios reforçam suspeita de planejamento

Outros elementos reforçam a tese de premeditação:

No local indicado por Cléber, a polícia encontrou vestígios das roupas usadas por Daiane no dia do desaparecimento.

 

Perícia e causa da morte

O corpo da corretora foi localizado em estado avançado de decomposição e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), em Goiânia. A Polícia Científica informou que o laudo da necropsia deve ficar pronto em até 10 dias.

Serão realizados exames de tomografia computadorizada, arcada dentária, antropologia forense e, se necessário, DNA, para confirmar a identidade e apontar a causa da morte.