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Irã reforça arsenal com 1.000 drones e ameaça EUA
Reforço militar ocorre em meio à escalada de tensões com o governo de Donald Trump, que pressiona Teerã por um novo acordo nuclear
29/01/2026 17h02 Atualizada há 8 meses
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O Exército do Irã anunciou nesta quinta-feira (29) a incorporação de 1.000 novos drones ao seu arsenal militar. A medida ocorre em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos, após ameaças do presidente Donald Trump de bombardear o território iraniano caso o país não aceite um novo acordo sobre seu programa nuclear.

Segundo a agência semioficial Tasnim, os drones foram distribuídos entre diferentes ramos das Forças Armadas iranianas. Em pronunciamento na TV estatal, o comandante das Forças Armadas, Amir Hatami, afirmou que o país está preparado para responder a qualquer agressão.

“Diante das ameaças contra o nosso país, o Exército mantém e fortalece suas capacidades estratégicas para uma resposta rápida e esmagadora contra qualquer agressor”, declarou.

O reforço no arsenal ocorre enquanto Washington avalia possíveis ações militares contra o Irã. O regime do líder supremo Ali Khamenei afirmou que um ataque dos EUA seria considerado o início de uma guerra.

Trump aumentou a pressão após denunciar a repressão violenta do governo iraniano contra protestos populares registrados neste mês. Agora, o presidente norte-americano exige que Teerã aceite limites ao seu programa nuclear.

Como forma de pressão, Trump ordenou o envio de uma grande força militar ao Oriente Médio, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln.

Aliada do Irã, a Rússia alertou para os riscos de um confronto direto. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que um ataque dos EUA pode gerar “consequências muito perigosas” e pediu que não haja uso da força.

 

Troca de ameaças públicas

Na quarta-feira, Trump voltou a usar as redes sociais para exibir a “enorme armada” enviada ao Oriente Médio e afirmou que um novo ataque ao Irã seria “muito pior” do que ofensivas anteriores.

“O tempo está se esgotando. Façam um acordo”, escreveu o presidente.

A resposta veio rapidamente. O conselheiro sênior de Khamenei, Ali Shamkhani, afirmou que qualquer ataque dos EUA será tratado como declaração de guerra.

“A resposta será imediata, ampla e sem precedentes”, disse, citando alvos em Tel Aviv e apoiadores de Washington.

A missão do Irã na Organização das Nações Unidas afirmou que o país está aberto ao diálogo, mas não aceitará negociações sob ameaça militar.

Irã nega contatos com os EUA

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, negou declarações de Trump de que Teerã teria procurado os EUA para negociar. Segundo ele, não houve contato recente com o enviado americano ao Oriente Médio, Steve Witkoff.

“Diplomacia feita com ameaças militares não funciona”, afirmou Araghchi.

Fontes do governo americano ouvidas pela Reuters afirmam que Trump avalia ataques direcionados a líderes e forças de segurança iranianas para estimular novos protestos e, em um cenário mais amplo, até provocar uma mudança de regime.

Segundo organizações de direitos humanos, a repressão aos protestos no Irã já deixou mais de 6 mil mortos. Analistas alertam, no entanto, que uma ação militar externa pode enfraquecer os protestos, em vez de fortalecê-los.

Para especialistas, o cenário atual representa um dos momentos mais delicados da relação entre EUA e Irã nos últimos anos, com risco real de escalada militar no Oriente Médio.