Geral Saúde
Ação da Secretaria da Saúde de Goiás provoca superlotação no Hugo
Rodízio de atendimentos criado para aliviar hospitais acabou concentrando urgências na unidade de Goiânia
02/02/2026 15h36 Atualizada há 8 meses
Por: Lavínia Dornellas Fonte: O Popular
Foto: Reprodução

A estratégia chamada Semana Protegida, criada pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) para reduzir a superlotação nos hospitais estaduais, teve efeito contrário na última semana. O Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (Hugo) precisou suspender temporariamente o recebimento de novos pacientes de urgência e emergência após ficar superlotado.

O problema ocorreu enquanto o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) estava no período de atendimento restrito dentro do rodízio do programa. Com isso, a maior parte dos casos acabou sendo direcionada ao Hugo, que não conseguiu absorver a demanda.

A situação começou a ser normalizada no domingo (1º), mas, no período da tarde, o hospital ainda operava com apenas seis leitos disponíveis.

 

Bombeiros orientaram não levar pacientes ao hospital

Na quinta-feira (29), o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás emitiu um despacho orientando que as ambulâncias não encaminhassem pacientes ao Hugo. O motivo foi classificado como “superlotação crítica”, a pedido do Núcleo Interno de Regulação do hospital.

Segundo o documento, não havia previsão de altas nas UTIs e nas enfermarias, além da falta de pontos de oxigênio para receber novos pacientes.

A corporação informou que esse tipo de alerta é comum quando a unidade atinge o limite de capacidade. Durante esse período, os pacientes são levados para outros hospitais da Região Metropolitana de Goiânia.

 

Funcionários apontam sobrecarga causada pelo rodízio

Funcionários do Hugo relataram que o pico da superlotação ocorreu na sexta-feira (30). Segundo eles, o fechamento do Hugol para atendimentos de urgência e emergência fez com que o Hugo absorvesse praticamente toda a demanda desse perfil.

Profissionais ouvidos sob reserva reforçaram que o rodízio previsto pela Semana Protegida acabou concentrando os atendimentos em uma única unidade.

 

Como funciona a Semana Protegida

O programa foi implantado em novembro de 2025 e estabelece um rodízio semanal entre os quatro principais hospitais estaduais de urgência:

Durante a semana protegida, o hospital deixa de receber pacientes encaminhados pela Central de Regulação Estadual, pelo Samu e pelos Bombeiros, para focar em cirurgias eletivas e demandas internas.

 

SES reconhece redirecionamento, mas aponta outros fatores

A SES-GO reconheceu que, quando uma unidade entra na Semana Protegida, parte dos atendimentos de urgência é redirecionada para os outros hospitais da rede. No entanto, afirmou que as especialidades exclusivas do Hugol continuaram funcionando normalmente.

Em nota conjunta com a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, responsável pela gestão do Hugo, a secretaria disse que a principal causa da superlotação foi o aumento das internações por traumas e casos clínicos graves, o que eleva a demanda por leitos e atendimentos de urgência.

 

Poucos leitos disponíveis e parte bloqueada

Segundo a SES-GO, no domingo (1º), o Hugo tinha:

Ao todo, o hospital conta com 354 leitos, mas 48 estão temporariamente bloqueados. A secretaria informou que o bloqueio ocorre por motivos técnicos, como reformas, limpeza, isolamento de pacientes, processos de alta e reserva técnica para emergências.

A SES também informou que o hospital passa por uma reforma estimada em R$ 3 milhões, com obras em 184 banheiros distribuídos pelos andares. Durante os trabalhos, parte dos leitos é interditada e os pacientes são realocados.

O Hugo e o Hugol já enfrentaram outros episódios de superlotação nos últimos meses. Em outubro do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado de Goiás chegou a vistoriar o Hugo após denúncias de pacientes nos corredores.

Em setembro, o Hugol também registrou lotação acima da capacidade, atribuída à alta demanda por traumas, principalmente acidentes com motocicletas. Na época, a SES afirmou não ser possível ampliar o número de leitos, o que levou à criação da Semana Protegida.

 

Medidas para reduzir a pressão

Segundo a secretaria, para lidar com períodos críticos, a rede estadual adota medidas como:

A SES afirmou que situações de superlotação podem oscilar ao longo do tempo, especialmente em hospitais de referência em urgência e emergência.