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Irã e EUA avançam em diálogo sobre acordo nuclear
Conversas em Omã duraram cerca de seis horas; Teerã diz que diálogo continua, mas condiciona avanços ao fim de ameaças militares
06/02/2026 17h13
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Representantes do Irã e dos Estados Unidos classificaram como “muito positiva” a reunião realizada nesta sexta-feira (6), em Omã, para tratar do programa nuclear iraniano. Segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, os dois lados concordaram em seguir negociando, apesar de o encontro ter sido encerrado “por enquanto”.

Em declaração à agência estatal Irna, Araqchi afirmou que deixou claro aos americanos que qualquer avanço depende do fim das ameaças de agressão militar contra o Irã. Ele reforçou que Teerã aceita discutir exclusivamente o programa nuclear, rejeitando a ampliação da pauta para outros temas regionais ou militares.

“Os negociadores voltarão para consultas e as conversas continuarão. A barreira da desconfiança precisa ser superada”, declarou.

O encontro durou cerca de seis horas, começando pouco antes das 5h e terminando por volta das 11h (horário de Brasília).

 

Mediação de Omã e próximos passos

O chanceler de Omã, Sayyid Al Busaidi, descreveu o diálogo como “muito sério” e indicou que novas rodadas devem ocorrer após avaliação dos resultados em Teerã e Washington. O site norte-americano Axios informou que novas reuniões podem acontecer nos próximos dias.

Araqchi havia afirmado, antes da viagem, que o Irã entraria na negociação “com olhos abertos”, cobrando respeito mútuo e compromissos cumpridos como base para um acordo duradouro.

 

Contexto de tensão

As negociações ocorrem em meio à elevação das tensões no Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse preferir a via diplomática, mas voltou a admitir ação militar caso não haja acordo.

Washington defende um pacto mais amplo, que inclua:

Teerã, por sua vez, insiste que o programa nuclear tem fins pacíficos e rejeita qualquer negociação fora desse escopo. Israel e os EUA acusam o país de buscar armas nucleares.

Nos últimos dias, os EUA enviaram porta-aviões, navios de guerra, caças, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para a região. A Casa Branca afirmou que Trump, como comandante das Forças Armadas, tem alternativas além da diplomacia.

Em resposta, a TV estatal iraniana informou que o míssil balístico Khorramshahr 4 — com alcance de até 2.000 km e capacidade de ogiva de 1.500 kg — foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária. Fontes indicam que Washington pressiona para reduzir esse alcance para cerca de 500 km.

A escalada levou a reações internacionais:

Segundo o governo iraniano, Teerã participa das tratativas para alcançar um entendimento “justo, mutuamente aceitável e digno”. As próximas rodadas devem definir se o clima considerado positivo se traduzirá em avanços concretos rumo a um novo acordo nuclear.