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Opositor é preso horas após ser solto na Venezuela
Juan Pablo Guanipa, ex-deputado e um dos principais críticos do chavismo, foi levado à força em Caracas; Ministério Público afirma que ele violou condições impostas pela Justiça
09/02/2026 17h35
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O advogado e ex-deputado Juan Pablo Guanipa, um dos opositores mais antigos do regime venezuelano, foi preso novamente poucas horas após ser libertado, no domingo (8), na Venezuela. A oposição denuncia que ele foi sequestrado por homens armados à paisana, enquanto o Ministério Público afirma que a nova detenção ocorreu por descumprimento dos termos da liberdade concedida.

Segundo a líder opositora María Corina Machado, Guanipa foi levado à força no bairro de Los Chorros, em Caracas.

“Homens fortemente armados, vestidos à paisana, chegaram em quatro veículos e o levaram. Exigimos sua libertação imediata”, afirmou Machado.

O filho do político, Ramón Guanipa, disse que cerca de 10 homens armados e não identificados participaram da ação e pediu prova de vida imediata do pai.

Após a repercussão, o Ministério Público da Venezuela confirmou a nova prisão. Em nota, o órgão afirmou que solicitou à Justiça a revogação da medida cautelar, alegando que Guanipa violou as condições impostas para sua libertação.

Embora não tenha detalhado quais regras teriam sido descumpridas, o Ministério Público afirmou que pediu ao tribunal que o opositor seja submetido a prisão domiciliar. Em casos semelhantes, beneficiários dessas medidas costumam ser proibidos de conceder entrevistas, algo que Guanipa fez após deixar a prisão.

 

Quem é Juan Pablo Guanipa

Juan Pablo Guanipa, de 61 anos, foi deputado da Assembleia Nacional e é aliado próximo de María Corina Machado. Ele foi preso em maio de 2025, após meses na clandestinidade, acusado pelo governo de liderar um complô terrorista.

A prisão ocorreu dois dias antes das eleições regionais e legislativas e foi anunciada publicamente pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que exibiu imagens da captura.

 

Libertação e nova detenção

Guanipa havia sido libertado no domingo (8), junto com outros presos políticos. Em um vídeo divulgado após deixar a prisão, afirmou:

“Depois de quase nove meses detido, estamos saindo em liberdade. Há muito a falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro plano.”

Poucas horas depois, ele foi novamente levado pelas forças de segurança, segundo a oposição.

As libertações ocorreram em meio à pressão internacional e a uma visita de representantes do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Segundo a ONG Foro Penal, ao menos 35 presos políticos foram libertados no domingo.

Guanipa questionou publicamente a reeleição de Nicolás Maduro em 2024, eleição que a oposição considera fraudulenta por falta de transparência. Após o pleito, a ONG estima que cerca de 1.800 pessoas tenham sido presas por motivos políticos.

 

Reações da oposição

O partido Primero Justicia, ao qual Guanipa é ligado, responsabilizou figuras centrais do governo, como Delcy Rodríguez, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello, por qualquer dano à integridade física do opositor.

A oposição venezuelana afirma que a nova prisão reforça o uso do sistema judicial como instrumento de repressão política e cobra a libertação imediata de Juan Pablo Guanipa.