
O senador Flávio Bolsonaro usou uma entrevista à TV francesa nesta segunda-feira (9) para atacar o presidente Lula, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente da França, Emmanuel Macron, a quem classificou como “incompetente”. A entrevista foi exibida pelo canal CNews, ligado à ultradireita francesa.
Durante cerca de meia hora ao vivo, Flávio afirmou que o Brasil “não vive uma democracia plena” e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido condenado por “seus próprios inimigos”, citando repetidamente o ministro Alexandre de Moraes. O senador está na Europa em agenda com lideranças da ultradireita e publicou imagens ao lado da deputada europeia Marion Maréchal, sobrinha de Marine Le Pen.
Na entrevista, Flávio mencionou as investigações sobre descontos indevidos no INSS e citou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, ao falar em supostos desvios de recursos da Previdência. As investigações apuram se houve ligação entre Lulinha e um lobista envolvido no caso. Em declaração recente, Lula afirmou que, se houver irregularidade, o filho deverá “pagar o preço”.
O senador também comentou temas internacionais. Disse esperar mudanças de governo no Brasil e na França e acusou Macron de ter ido ao Brasil “apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia”. Flávio ainda afirmou, sem apresentar dados, que a região teria sido preservada durante o governo Bolsonaro e que, sob Lula, registrou recordes de queimadas.
Questionado sobre a retirada do nome de Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos, Flávio afirmou que o ex-presidente Donald Trump recuou porque “precisa ter boas relações com o Brasil”. Ele também defendeu o acordo entre União Europeia e Mercosul, rejeitado por políticos franceses, dizendo que o impacto sobre produtores rurais da França seria limitado.
A entrevista ampliou a repercussão internacional das críticas feitas por Flávio Bolsonaro ao governo brasileiro e ao Judiciário, além de aprofundar o desgaste diplomático ao direcionar ataques diretos ao presidente francês. As declarações ocorrem em meio à tentativa do senador de se projetar como pré-candidato à Presidência e de se aproximar de lideranças conservadoras no exterior.