A Justiça de Goiás suspendeu o concurso público da Câmara Municipal de Rio Verde, no sudoeste do estado, por suspeitas de irregularidades e falta de transparência no processo. A decisão atende a uma ação do Ministério Público de Goiás, que questiona a contratação da banca organizadora e possíveis vínculos com um esquema de fraudes investigado no município.
Segundo o MPGO, a escolha do Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro (Idib) foi feita pelos mesmos servidores que são alvo de investigações e prisões em operações que apuram fraudes em concursos e contratos públicos. A ação foi analisada pelo Juízo da Vara das Fazendas Públicas de Rio Verde, que determinou a suspensão imediata do certame.
O caso é investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado Sul (Gaeco Sul), no âmbito da quarta fase da Operação Regra Três, batizada de “Contrapartida”. Durante a operação, foi preso o presidente da Câmara, Idelson Mendes (PRD), suspeito de favorecer contratos ligados ao delegado Dannilo Ribeiro Proto.
Em dezembro do ano passado, a Justiça havia negado um pedido semelhante do MPGO para suspender o concurso. À época, já havia questionamentos sobre a contratação do Idib sem licitação. Agora, além de suspender o processo seletivo, a decisão judicial determinou que a banca divulgue, em até 48 horas, a lista completa de inscritos em seu site e comunique oficialmente a suspensão, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a 30 dias.
Até a manhã desta terça-feira (10), o concurso seguia listado no site do instituto, sem qualquer aviso sobre a suspensão. O edital previa taxas de inscrição entre R$ 80 e R$ 160, conforme o nível de escolaridade. A Justiça também autorizou o bloqueio das contas bancárias que receberam esses valores, para evitar novas movimentações e garantir a devolução aos candidatos.
As investigações apontam a existência de uma organização criminosa estruturada, suspeita de usar cargos públicos para fraudar contratos e desviar recursos. O MPGO afirma que o esquema envolve empresas de fachada, lavagem de dinheiro e prejuízos milionários aos cofres públicos. O futuro do concurso e a devolução das taxas agora dependem do avanço das apurações e do cumprimento das determinações judiciais.