O governo do presidente Donald Trump divulgou novos nomes ligados aos chamados Arquivos Epstein após pressão de parlamentares norte-americanos. Deputados afirmam que versões anteriores dos documentos haviam ocultado identidades citadas em relatórios do FBI sobre possíveis cúmplices do financista Jeffrey Epstein.
A liberação adicional foi feita pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, depois que congressistas tiveram acesso a versões menos censuradas dos arquivos. Em entrevista à CNN, o deputado Thomas Massie afirmou que o governo havia suprimido nomes mencionados em um documento do FBI de 2019, que tratava de supostos cúmplices de Epstein.
O vice-procurador-geral Todd Blanche negou irregularidades e disse que o Departamento de Justiça “não está escondendo nada”. Mesmo assim, o órgão não explicou por que os documentos foram editados de forma considerada confusa nem por que nenhuma outra pessoa, além de Epstein e de sua ex-companheira Ghislaine Maxwell, foi formalmente acusada.
Uma minuta de acusação divulgada recentemente indica que, entre 2001 e 2005, Epstein e três indivíduos não identificados teriam participado de uma conspiração para aliciar menores de idade. Apesar disso, promotores federais firmaram em 2007 um acordo que evitou acusações federais mais amplas, decisão que mais tarde foi criticada pelo próprio Departamento de Justiça, embora sem responsabilização disciplinar do então procurador Alex Acosta.
FBI diz não haver provas contra pessoas influentes
Análises recentes de documentos feitas pela agência Associated Press indicam que o FBI concluiu não haver provas suficientes de que Epstein comandava uma rede de tráfico sexual envolvendo pessoas poderosas. Segundo memorandos internos, as investigações não encontraram evidências que ligassem outros adultos a crimes além do próprio Epstein, de Maxwell e de colaboradores próximos.
Relatórios também apontam limitações em depoimentos de vítimas, como o de Virginia Giuffre, que acusou Epstein e afirmou ter sido abusada por figuras influentes. Investigadores confirmaram abusos cometidos por Epstein, mas disseram não conseguir comprovar outras acusações feitas publicamente pela vítima.
Documentos analisados indicam ainda que pilotos, funcionários, amigos e antigos clientes de Epstein foram investigados, mas não houve material suficiente para indiciamentos. Uma suposta “lista de clientes”, frequentemente citada nas redes sociais, nunca foi localizada oficialmente pelo FBI.
A divulgação dos novos nomes reacende o debate sobre transparência no caso Epstein e sobre os limites das investigações conduzidas ao longo de quase duas décadas. Embora parlamentares pressionem por mais esclarecimentos, documentos oficiais indicam que a ausência de provas segue sendo o principal obstáculo para responsabilizar outras pessoas além das já condenadas.