O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, confirmou que é sócio da empresa Maridt, que integrou o grupo proprietário do resort Tayayá, no Paraná, mas afirmou que não mantém relação de amizade com o banqueiro Daniel Vorcaro e que jamais recebeu qualquer valor dele.
A manifestação ocorre após a Polícia Federal (PF) enviar ao presidente do STF, Edson Fachin, relatório com mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, mencionando pagamentos à Maridt no contexto da compra do empreendimento.
A empresa Maridt, da qual Toffoli é acionista, era dona de 33% do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).
Segundo o ministro, a participação foi vendida em duas etapas:
27 de setembro de 2021: venda de cotas ao Fundo Arleen;
21 de fevereiro de 2025: alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding.
O Fundo Arleen é apontado como parte da estrutura ligada a Daniel Vorcaro, banqueiro investigado por supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
Toffoli afirmou que recebia dividendos da empresa por ser sócio, mas não exercia função de gestão — atividade vedada pela Lei Orgânica da Magistratura.
O relatório da Polícia Federal menciona mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel combinando transferências à Maridt. Também há registros de conversas entre Toffoli e Vorcaro, que, segundo relatos, tratariam apenas de encontros sociais, sem menção a negócios.
A PF sustenta que o ministro deveria ser declarado suspeito para continuar como relator de processos relacionados ao Banco Master. A Corte ainda discute como proceder diante dos novos fatos.
Toffoli, no entanto, tem afirmado que:
Todas as transações foram declaradas à Receita Federal;
As vendas ocorreram a valor de mercado;
Ele desconhecia quem era o gestor do Fundo Arleen;
Nunca recebeu valores diretamente de Vorcaro ou de Fabiano Zettel;
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída a ele em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava o grupo Tayayá.
Em meio à repercussão, Toffoli determinou que a PF encaminhe integralmente ao STF os laudos periciais dos celulares e mídias apreendidas no caso Master, incluindo dados telemáticos, informáticos e telefônicos.
A decisão atende pedidos das defesas dos investigados para acesso completo ao material.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, entrou no radar das investigações após suspeitas de irregularidades financeiras. O caso envolve apurações sobre operações de compra, emissão de papéis e possível manipulação patrimonial.
O relatório da PF foi compartilhado por Fachin com outros ministros do STF, que agora avaliam se Toffoli deve ou não permanecer na relatoria do processo.
"A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.
Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.
De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado.
Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição. A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025.
Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel."