O dólar ampliou a queda nesta sexta-feira (20) e chegou a R$ 5,18, após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar as tarifas globais impostas por Donald Trump.
Por volta das 13h18, a moeda americana recuava 0,86%, cotada a R$ 5,182 — a caminho de uma nova mínima em dois anos. Já o Ibovespa rondava a estabilidade, com leve queda de 0,05%, aos 188 mil pontos.
O índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas fortes, também inverteu o sinal e passou a cair.
A Corte decidiu, por seis votos a três, que Trump extrapolou sua autoridade ao impor tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA).
Para analistas, a decisão reduz a incerteza jurídica e enfraquece o dólar, favorecendo moedas de países emergentes como o Brasil.
Segundo Otávio Araújo, da ZERO Markets, a medida “favorece fluxos para ativos de risco, como o Ibovespa”. Já Paula Zogbi, da Nomad, afirma que a retirada das tarifas pode reduzir custos e melhorar a produtividade das empresas.
O mercado também reagiu a indicadores dos EUA:
O PIB cresceu 1,4%, abaixo da expectativa de 3%;
O núcleo da inflação (PCE) subiu 0,4% em dezembro, acima do previsto;
Em 12 meses, o índice acumula alta de 3%, acima da meta do Fed.
O cenário mantém dúvidas sobre cortes de juros pelo Federal Reserve, que atualmente mantém a taxa entre 3,5% e 3,75%.
No Brasil, o Banco Central do Brasil realizou dois leilões de linha, no total de US$ 2 bilhões, para reforçar a oferta de dólares e rolar vencimentos. A combinação de dólar mais fraco no exterior, fluxo estrangeiro para o Brasil e juros domésticos em 15% — que estimulam operações de carry trade — ajuda a explicar o movimento de valorização do real.
Apesar da melhora no curto prazo, analistas ainda veem volatilidade adiante, dependendo de indicadores externos e do cenário político global.