Goiás recebeu R$ 10 bilhões em emendas parlamentares da União entre 2016 e 2025. O valor representa uma alta expressiva ao longo da última década: os repasses saltaram de R$ 202 milhões, em 2016, para R$ 1,9 bilhão apenas em 2025 — o maior montante da série histórica.
Os dados são do portal Siga Brasil e consideram recursos que tiveram o estado como destino final, seja para o governo estadual, prefeituras, organizações sociais ou empresas responsáveis por obras e serviços. Os números estão atualizados pela inflação, com base no IPCA.
As emendas parlamentares são parcelas do Orçamento da União que deputados federais e senadores indicam para aplicação em seus redutos eleitorais. Elas podem ser individuais, de bancada estadual ou de comissão. As individuais e de bancada têm execução obrigatória.
No período analisado, as emendas individuais representaram o maior volume: R$ 5,5 bilhões. As de bancada somaram R$ 2,4 bilhões e as de comissão, R$ 684 milhões.
Também entram na conta as emendas de relator, conhecidas como “orçamento secreto”, consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em 2022. Mesmo após a decisão, pagamentos continuaram sendo registrados por empenhos feitos antes da proibição. Goiás foi destino de R$ 1,4 bilhão nessa modalidade.
Entre 2016 e 2019, os valores pagos ao estado ficaram restritos às emendas individuais e de bancada, durante os governos de Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Em 2020, primeiro ano da pandemia, o total superou pela primeira vez R$ 1 bilhão. A tendência de alta continuou nos anos seguintes. Em 2023, já no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, os pagamentos chegaram a R$ 1,4 bilhão e atingiram R$ 1,9 bilhão em 2025.
Do total repassado ao estado na década, cerca de R$ 1 bilhão teve origem em indicações de parlamentares de outros estados, segundo o Jornal O Popular. Esses valores podem ter sido destinados a empresas sediadas em Goiás, mas com execução de obras fora do território goiano.
No cenário nacional, o pagamento de emendas somou R$ 263 bilhões no mesmo período. O pico ocorreu no ano passado, com R$ 45,5 bilhões liberados.
Parte das transferências especiais, conhecidas como “emendas pix”, está sob análise do STF. O ministro Flávio Dino determinou maior controle e exigência de plano de trabalho para repasses feitos entre 2020 e 2024, além de investigar possíveis irregularidades.
Para 2026, o Orçamento federal prevê cerca de R$ 60 bilhões em emendas, sendo R$ 37,8 bilhões de execução obrigatória. Nos primeiros 40 dias deste ano, a União já liberou R$ 1,7 bilhão em todo o país — R$ 45 milhões destinados a Goiás.
O crescimento contínuo das emendas reforça o peso político e orçamentário desse instrumento, que tem impacto direto nas finanças estaduais e municipais.